Pam Moraes tinha 15 anos quando começou a se relacionar com o homem com quem se casaria aos 16. Onze anos depois, durante uma viagem do casal, ela descobriu que o marido era gay ao acordar em um hotel e vê-lo assistindo a uma cena adulta entre dois homens. Hoje, aos 38 anos, ela conta como chegou à descoberta e relembra os acontecimentos que marcaram sua trajetória.
Antes do relacionamento, Pam tinha outros planos para a própria vida. Ela queria deixar a pequena cidade onde morava e construir seu caminho longe dali. O casamento, porém, não estava entre seus objetivos naquele momento. “Eu não queria. Meu sonho de vida mesmo sempre foi estudar, mudar da minha cidade, ir longe”, conta Pam à CRESCER.
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A aproximação aconteceu depois que um rapaz novo chegou à cidade e despertou o interesse da mãe de Pam. Segundo ela, a família passou a pressioná-la diariamente para que aceitasse o relacionamento. Diante da situação, ela acabou cedendo. O namoro começou em outubro, o noivado aconteceu em novembro e o casamento foi realizado em junho, quando ela tinha apenas 16 anos. “Começamos a namorar em outubro, noivamos em novembro e nos casamos em junho. Tudo isso, nessa ordem mesmo”, lembra.
O relacionamento começou sem que Pam estivesse apaixonada. Ela, porém, descrevia o marido como uma pessoa carinhosa e de coração generoso, o que contribuiu para que permanecesse na união. “Quando eu aceitei me casar e entendi que a minha vida era da minha mãe, aceitei toda aquela situação. Então, vivi infeliz. Eu não gostava dele, mas ele era uma pessoa muito bacana, muito legal, tinha um coração enorme”, desabafa.
Ao longo do casamento, Pam também enfrentava dificuldades na intimidade. Ela conta que o marido não a beijava na boca porque tinha “nojo” e que, quando mantinham relações, ela frequentemente ficava machucada. Sem compreender o motivo, chegou a procurar médicos e acreditava que o problema estava nela. “Eu achava que o problema era comigo”, conta.
Com o tempo, alguns comentários feitos por familiares fizeram Pam desconfiar da s*xualidade do marido. Uma cunhada chegou a dizer que ele teria ficado com um primo. “Eu achei muito esquisita aquela história e falei: ‘Gente, que loucura é essa? Que coisa estranha, né? Como assim? Por que ela veio me contar uma coisa dessa?’ Deixei passar, mas fiquei com aquilo na cabeça, né?”, lembra.
Em outra ocasião, Pam ouviu que o marido estaria com outra pessoa. Naquele período, ela estava grávida. Ela decidiu questioná-lo, mas ele negou o relacionamento, e ela optou por acreditar na resposta.
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A confirmação só veio anos mais tarde. No aniversário de dez anos de casamento, Pam e o marido fizeram uma viagem e ficaram hospedados em um hotel. Ela dormiu e, ao acordar, viu o companheiro assistindo a uma cena adulta de dois homens. “Quando eu acordei, eu não me movimentei. Só abri os olhos e vi a cena. Meu coração só faltava pular pela boca”, conta.
Naquele momento, Pam não confrontou o marido. A cena, no entanto, fez com que as histórias que havia escutado anteriormente passassem a fazer sentido para ela. “Eu sabia que ele tinha sofrido muito. O pai dele tinha mudado de cidade justamente por causa da história de quando ele estava com o primo. Ali, tudo começou a fazer sentido. Era tudo real”, afirma.
Pam percebeu, então, que estava casada havia dez anos com um homem gay e que tinha dois filhos com ele. A separação, contudo, não aconteceu imediatamente.
A família e a comunidade religiosa da qual ela fazia parte continuaram pressionando para que o casamento fosse mantido. Pam afirma que decidiu se posicionar quando já era maior de idade. “Meu pai me xingava, minha mãe pedia ‘pelo amor de Deus’. Mas não dava mais. Eu bati o pé, já era maior de idade. Aí eu pensei: ‘Essa vida é minha, não é da minha mãe’. Aí eu peguei minha vida de volta”, conta.
O ex-marido não queria o fim da união, principalmente pela possibilidade de ficar distante dos filhos. “Ele não queria mesmo. Sofreu muito, porque sabia que ficaria longe dos filhos e nunca mais seria a mesma coisa”, diz.
Depois da separação, segundo Pam, o ex-marido passou a viver ade forma mais aberta. Os filhos continuaram tendo contato com o pai, e ela decidiu não ser responsável por contar a eles sobre o pai ser gay. “Eu nunca contei. Meus filhos souberam de tudo pela boca dele. Eu respeitei isso. Ele é um ótimo pai. Os filhos o amam”, afirma.
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Ao compartilhar a própria história nas redes sociais, Pam passou a falar também sobre a pressão que sofreu ainda adolescente. Para ela, o principal ponto de seu relato não está apenas na descoberta sobre a sexualidade do ex-marido. “Sinto que estou mexendo em um vespeiro porque o marido gay não é nem o foco principal. A questão é que, assim como aconteceu comigo, meninas tão jovens crescem e são induzidas, ou até mesmo, como foi meu caso, são obrigadas a casar com pessoas que nem gostam”, diz.
Depois da separação e de uma nova fase da vida, Pam afirma que conseguiu deixar para trás tudo o que passou. “Me curei de todas as dores”, conclui.














