Um vídeo com aparência realista esconde uma fraude que chamou atenção em Valinhos, no interior de São Paulo. Nas imagens, um suposto padre chamado Mateus conta uma história dramática: teria 38 anos, perdido as duas pernas e precisaria de próteses com urgência. O pedido de ajuda circulou pelas redes sociais e conseguiu milhares de visualizações e mais de mil compartilhamentos, levando pessoas a oferecer dinheiro e orações.
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A farsa começou a ser descoberta depois que um abrigo de idosos desconfiou da gravação. Ao analisar o material, o jornalista e teólogo Felipe Zangari percebeu que os movimentos da boca não acompanhavam a fala de maneira natural. Uma investigação também não encontrou registros do religioso ou do acidente. Para tornar a história ainda mais convincente, o conteúdo utilizava outros personagens aparentemente fictícios, como uma idosa chamada Lourdes e um coroinha chamado Enzo, todos produzidos com inteligência artificial.
O dinheiro solicitado era direcionado para o site “Ande com Padre Mateus”. Ao simular uma transferência, foi possível descobrir que o destinatário não era uma paróquia ou entidade religiosa, mas a empresa Gestão Solidar Digital LTDA., de Florianópolis. A apuração encontrou ainda inconsistências nos dados utilizados nas transações: pagamentos apareciam associados ao nome de uma mulher, enquanto o CPF informado pertencia a uma idosa de Goiás. A fintech Cartwave também aparecia como intermediária dos pagamentos e apresentava informações cadastrais consideradas contraditórias.
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Especialistas alertam que golpes desse tipo podem ser especialmente difíceis de identificar porque a inteligência artificial consegue produzir vídeos cada vez mais convincentes. A recomendação é conferir qualquer campanha diretamente com a diocese ou instituição citada antes de realizar uma transferência. Para quem já caiu no golpe, advogados orientam registrar boletim de ocorrência e solicitar imediatamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED) junto ao banco. O uso de IA para enganar vítimas pode configurar fraude eletrônica, com pena prevista de quatro a oito anos de prisão e multa.














