Cães que vivem em Chernobyl desenvolveram mudanças genéticas surpreendentes após desastre nuclear

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Quase quatro décadas depois do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, os cães que continuam vivendo na região podem estar revelando um dos mistérios mais curiosos da ciência. Um estudo publicado na revista científica Genes analisou o DNA desses animais e identificou alterações genéticas associadas à sobrevivência em um ambiente contaminado por radiação e metais pesados. As populações locais já atravessaram mais de 35 gerações desde a tragédia de 1986.

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Os pesquisadores queriam descobrir se as diferenças genéticas entre esses animais eram consequência do isolamento e do cruzamento entre parentes ou resultado de uma adaptação ao ambiente extremo. A análise apontou evidências de seleção natural: determinadas características genéticas teriam favorecido os cães capazes de sobreviver e se reproduzir na região. Um dos resultados mais surpreendentes surgiu na comparação entre os animais próximos à usina e aqueles que vivem na cidade de Chernobyl. Mesmo separados por poucos quilômetros, os dois grupos apresentam diferenças genéticas expressivas, maiores do que as observadas entre cães europeus e populações das Ilhas Galápagos.

O levantamento identificou 1.138 regiões do genoma com alterações marcantes e 247 genes candidatos associados à seleção positiva. Entre os mecanismos destacados estão genes relacionados ao reparo do DNA danificado pela radiação, ao controle da formação de tumores e à resposta inflamatória do organismo. A hipótese dos cientistas é que, ao longo das gerações, os animais que apresentavam características genéticas mais favoráveis conseguiram sobreviver e deixar descendentes, transmitindo essas alterações aos novos grupos.

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Além de ajudar a compreender os efeitos de longo prazo da contaminação ambiental, a descoberta pode trazer pistas importantes para a saúde humana. Como cães e pessoas compartilham ambientes e apresentam algumas respostas biológicas semelhantes, esses animais são considerados importantes indicadores dos impactos ambientais sobre a saúde. Os resultados podem contribuir para pesquisas sobre câncer, exposição a substâncias tóxicas e os limites de adaptação dos organismos a ambientes extremos.