
Syringe ao lado de microesferas de PMMA (Foto: Instagram)
O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu vetar o emprego do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reparadores em todo o Brasil, a partir desta terça-feira (2). A única exceção será para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
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A medida, anunciada em 29 de maio e formalizada pela Resolução nº 2.461/2026, passa a valer em 1º de junho de 2026, abrangendo aplicações para fins estéticos e para correções reparadoras. Até então, o PMMA era amplamente utilizado em clínicas de todo o país para aumento de volume em glúteos, rosto e outras regiões do corpo.
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O texto da resolução estabelece que somente pacientes com HIV/Aids atendidos pelo SUS poderão continuar recebendo o produto para tratamento de lipodistrofia, desde que em local autorizado e seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde. Em outras situações, médicos ficam proibidos de aplicar o PMMA em seus consultórios ou clínicas.
A proibição foi motivada pelo aumento de casos de complicações graves e óbitos associados ao uso do PMMA. Ao longo de anos, especialistas e conselhos regionais de medicina vinham alertando para os riscos oferecidos pela substância, que, por ser permanente, pode causar inflamações, infecções e deformidades.
O PMMA é um composto sintético formado por microesferas suspensas em gel, originalmente autorizado para reconstrução de tecidos e correção de deformidades em casos específicos. No entanto, sua utilização em procedimentos estéticos levou a reações adversas que podem surgir meses ou até anos após a aplicação, incluindo migração do material para outras áreas do corpo.
Entre os episódios que aceleraram o debate, está a morte de Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, em São Paulo. Segundo boletim de ocorrência, ela passou por aplicação de PMMA nos glúteos e na parte posterior das coxas, desenvolveu dores intensas e falta de ar um dia depois e não resistiu às complicações.
Em nota, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou que os riscos do PMMA superam seus benefícios e destacou que já existem alternativas mais seguras no mercado. A entidade também solicitou à Anvisa a proibição total da venda do produto, pedido que ainda aguarda análise.

