
Mais de 49 milhões de americanos já votaram antecipadamente nas eleições de meio de mandato. A reta final é marcada por disputas judiciais e pela mobilização de republicanos e democratas. (Foto: Instagram)
A poucos dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a disputa pelo controle do Congresso chega à reta final com uma ofensiva judicial do governo de Donald Trump e participação recorde no voto antecipado. Mais de 49 milhões de americanos já votaram, acima dos cerca de 46 milhões registrados antes das eleições de 2022. Os primeiros dados indicam maior mobilização proporcional de eleitores democratas, mas uma forte participação republicana no dia oficial pode mudar o cenário.
No Alasca, estado que pode ser decisivo para o Senado, o Departamento de Justiça acelerou uma investigação criminal ligada à corrida pela Casa. A apuração foi ampliada após o New York Times noticiar que colaboradores da democrata Mary Peltola teriam recrutado o professor aposentado Daniel J. Sullivan Jr. para concorrer. O nome é quase idêntico ao do senador republicano Dan Sullivan, que busca a reeleição.
O procurador federal no Alasca, Michael Heyman, chamou o candidato independente de possível “candidato falso”, sem especificar que crime ele poderia ter cometido. Peltola negou saber de qualquer tentativa de recrutamento, e o professor afirmou não ter coordenado sua candidatura com a campanha democrata. O governo Trump também recorreu à Justiça para tentar impedir a certificação do resultado no estado se a disputa entre os dois Sullivan for decidida por margem estreita. Os republicanos ocupam 53 das 100 cadeiras do Senado, contra 47 dos democratas, que precisam conquistar quatro cadeiras a mais que o partido adversário para obter a maioria.
A atuação do Departamento de Justiça se estende a outros estados. O órgão processou a Califórnia para tentar barrar a contagem dos votos de mais de 20 mil eleitores registrados, alegando que poderiam não ser cidadãos americanos. Também acionou cerca de 30 estados e o Distrito de Columbia para obter listas eleitorais completas, que podem incluir dados pessoais, como números de Seguro Social, carteiras de motorista, datas de nascimento e endereços. Na sexta-feira, um juiz federal ordenou que o departamento pare de ameaçar autoridades eleitorais californianas que não atendam às exigências federais sobre supostos eleitores não cidadãos.
Sean Morales-Doyle, diretor do programa de direitos de voto e eleições do Brennan Center for Justice, alertou que essas ações podem alimentar medo e desconfiança entre funcionários eleitorais, mesmo quando não vencem nos tribunais. Ainda assim, pesquisa Reuters/Ipsos feita de 30 de setembro a 5 de outubro aponta que 76% dos americanos confiam na contagem correta dos votos, com níveis semelhantes entre republicanos e democratas.
Trump tem percorrido o país para mobilizar os republicanos e disse na sexta-feira que o partido “tem uma chance” de alcançar um bom resultado, embora tenha reconhecido que a legenda do presidente costuma perder cadeiras nas midterms. Após uma pausa neste sábado, coincidente com o Halloween e a temporada de futebol universitário, ele deve retomar a campanha no domingo, em Iowa e no Kansas. Os democratas buscam controlar a Câmara dos Representantes e, se possível, o Senado, além de ampliar sua presença entre governadores. Em um comício na Flórida, Trump pediu que seus apoiadores impeçam o partido adversário de assumir o Congresso e voltou a prometer US$ 5 mil a cada cidadão se os republicanos vencerem, proposta cuja legalidade e financiamento são questionados. O resultado poderá definir o avanço da agenda presidencial e abrir caminho para novas investigações parlamentares sobre a administração republicana nos próximos dois anos.






