
Dólar recua e fecha a R$ 5,10 em dia de ruído eleitoral (Foto: Instagram)
O real rompeu a reação de fortalecimento da moeda americana no mercado internacional e, mesmo num dia de maior aversão ao risco por conta da alta do petróleo, terminou o pregão desta quinta-feira (10) em queda, cotado em R$ 5,10.
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As projeções sobre o resultado da corrida presidencial influenciaram diretamente a oscilação do câmbio. Enquanto o dólar ganhava força lá fora, impulsionado pelo receio global, no Brasil prevaleceu o impacto do “trade eleitoral”, que trouxe alívio momentâneo à cotação.
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O movimento de valorização do real ganhou força no fim da manhã, quando ativos locais reagiram positivamente à expectativa de fortalecimento de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, em pesquisas internas. A possibilidade de números favoráveis, reforçada por um suposto vazamento de levantamento da AtlasIntel, colaborou para a queda do dólar até R$ 5,0830 no ponto mais baixo.
No período da tarde, entretanto, o cenário se ajustou: a pesquisa da AtlasIntel mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (46,4%) e Luiz Inácio Lula da Silva (46,2%) num eventual segundo turno, o que moderou os ganhos do real.
No fechamento, a moeda norte-americana recuou 0,19%, a R$ 5,1027, acumulando baixa de 0,55% na semana e de 1,49% em setembro, após a valorização de 2,16% registrada em agosto. Entre os principais pares, o real ficou entre os destaques de melhor desempenho, ao lado do peso colombiano, enquanto o rublo russo liderou com alta superior a 1%, beneficiado pelo petróleo.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar, subia cerca de 0,30%, próximo de 99.000 pontos, com ganhos ante o iene, e o euro cedia apesar do aumento de juros pelo BCE em 0,25 ponto percentual. Dados do PPI vieram em linha com as expectativas, e as taxas dos Treasuries avançaram, elevando as chances de um novo ajuste de 25 pontos-base nos juros americanos para quase 70%, segundo ferramenta do CME Group. “O petróleo acima de US$ 100 pressiona a inflação e pode levar o Fed a endurecer mais a política monetária, o que terá impacto no real”, avalia Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2.
No Brasil, o Banco Central promoveu o “casadão”, vendendo US$ 1 bilhão no mercado à vista e US$ 1 bilhão em contratos de swaps cambiais reversos, sem, contudo, alterar significativamente a formação da taxa. Para o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, a ação visou suprir demanda pontual por dólares num momento de piora no fluxo cambial e volatilidade elevada. Ele alerta, no entanto, que os desdobramentos da “superquarta” — com possível corte de juros no Brasil e alta nos EUA — podem reduzir o diferencial de taxas, o que seria negativo para o real.






