Mulher sofre três AVCs durante gravidez e descobre doença rara após quase 40 anos

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Uma mulher de 40 anos descobriu que tinha uma doença neurológica rara após sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) durante a gravidez de sua terceira filha, no Texas, Estados Unidos. Molly Poenitzsch estava com 35 semanas de gestação quando precisou ser hospitalizada e passar por uma cesárea de emergência. O diagnóstico de doença de Moyamoya também ajudou a explicar sintomas que ela apresentava desde a infância, incluindo dores de cabeça intensas e uma convulsão.

O primeiro AVC aconteceu quando Molly, então com 39 anos, estava em casa com a família. Segundo contou à revista People, ela começou a sentir dores e a vomitar enquanto o marido, James, de 38 anos, dava banho nos dois filhos do casal, Archer e Leo. Ao perceber que a mulher tinha dificuldades para formar frases e responder às perguntas, ele acionou o serviço de emergência.

Molly foi levada ao Memorial Hermann, no Texas Medical Center, onde permaneceu internada na unidade de terapia intensiva neurológica. Durante os 16 dias de hospitalização, sofreu outros dois AVCs. Diante do quadro, os médicos decidiram antecipar o nascimento de Rose, sua terceira filha, por meio de uma cesariana.

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A paciente relatou que tem poucas lembranças do período de internação e que passou boa parte dos primeiros dias após o parto afastada da recém-nascida. “Por quase uma semana, só consegui ver Rose algumas vezes por dia, quando a enfermeira do berçário podia trazê-la até mim”, contou.

Foi durante a investigação médica que Molly recebeu o diagnóstico de doença de Moyamoya, uma condição que provoca o estreitamento ou a obstrução de artérias responsáveis por levar sangue ao cérebro. Segundo a Mayo Clinic, a redução do fluxo sanguíneo pode levar à formação de pequenos vasos para compensar a circulação comprometida. Esses vasos são frágeis e podem se romper, provocando hemorragias cerebrais.

A doença também pode causar dores de cabeça, convulsões e AVCs. Embora existam casos familiares, suas causas ainda não são completamente conhecidas.

O diagnóstico levou Molly a recordar episódios que havia enfrentado na infância. Aos 7 anos, ela começou a sofrer com dores de cabeça tão intensas que chegava a chorar. Os sintomas frequentemente eram acompanhados de vômitos, e os medicamentos prescritos pelos médicos não proporcionavam alívio. “Lembro de acordar com uma dor de cabeça intensa de um lado da cabeça, tão forte que me fazia chorar. Eu andava com a cabeça inclinada para um lado para conseguir um pouquinho de alívio”, relatou.

Em uma dessas ocasiões, Molly sofreu uma convulsão enquanto estava perto da mãe. Ela caiu no chão e bateu a cabeça em uma cadeira. O episódio durou aproximadamente um minuto e, depois dele, as dores intensas deixaram de ocorrer. “Foi a última vez que senti uma daquelas dores de cabeça intensas”, afirmou.

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Anos depois, por volta dos 14 ou 15 anos, ela apresentou outra alteração neurológica. Enquanto falava ao telefone para combinar uma carona até a escola, perdeu repentinamente a capacidade de falar. O episódio não recebeu um diagnóstico na época, mas Molly passou a suspeitar, após descobrir a doença, que poderia ter sofrido um ataque isquêmico transitório (AIT). “Eu realmente não entendia meus sintomas na época, mas, depois que recebi meu diagnóstico recentemente, tudo fez sentido”, disse.

Molly e James são fisioterapeutas e trabalham com pacientes em recuperação de AVCs. Ela acredita que a experiência profissional do marido pode ter contribuído para que ele reconhecesse rapidamente os sinais apresentados durante a gravidez. “Talvez conhecer os sinais de AVC tenha ajudado meu marido a chamar a ambulância quando chamou, o que salvou minha vida”, declarou.

Atualmente, Molly voltou ao trabalho e continua em recuperação. Apesar de não apresentar limitações motoras, ainda convive com alterações de sensibilidade na perna direita e dificuldades relacionadas à memória de curto prazo. A filha Rose, agora com 8 meses, também está saudável.

Ao compartilhar sua história, Molly espera chamar a atenção para a importância de investigar sintomas neurológicos sem explicação, mesmo quando eles surgem muitos anos antes de um diagnóstico. “Eu diria que é definitivamente importante encontrar respostas para quaisquer sintomas inexplicáveis”, afirmou. “Não desista de procurar respostas, porque isso pode salvar sua vida”.