Melissa Dohme, da Flórida, tinha 20 anos quando foi vítima de uma tentativa de feminicídio cometida pelo ex-namorado, Robert Vurton, em janeiro de 2012. Após levar mais de 30 facadas e sofrer uma grave perda de sangue, ela sobreviveu e, meses depois, reencontrou um dos bombeiros que participaram do atendimento de emergência.
Antes do ataque, Melissa conhecia Robert desde o colégio e havia iniciado um relacionamento com ele. Na época, ela estudava e trabalhava na recepção de um hospital. Segundo Melissa, o comportamento do namorado mudou quando ele começou a se candidatar a universidades, passando a demonstrar ciúmes, controle e agressividade física.
Em outubro de 2011, depois de uma discussão, Melissa conseguiu escapar e chamou a polícia. Robert foi preso e acusado de violência doméstica, cumprindo dez horas de detenção. Depois disso, os dois deixaram de manter contato, e ela acreditou que a relação havia terminado.
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Na madrugada de 24 de janeiro de 2012, porém, Robert voltou a procurá-la. Ele pediu para encontrá-la, afirmou que precisava encerrar o relacionamento e prometeu que a deixaria em paz. Melissa aceitou vê-lo, mas acabou sendo atacada com um canivete.
Mesmo tentando reagir, ela perdeu uma grande quantidade de sangue e caiu várias vezes. Pessoas próximas chamaram a polícia. Antes que os agentes chegassem, Robert retornou com uma faca maior, voltou a atacá-la e a deixou na estrada.
Melissa foi encontrada ainda com vida por um policial e encaminhada ao hospital. A perda de sangue provocou um AVC, e ela precisou ser reanimada diversas vezes durante uma cirurgia. A jovem sofreu fraturas no crânio, na mandíbula e no nariz, além de paralisia facial parcial, e recebeu 12 bolsas de sangue.
Durante a internação na UTI, Melissa pediu uma caneta à família. Ela queria descobrir o que havia acontecido com o agressor e escreveu: “Morto, vivo ou preso?”. Robert foi localizado depois de tentar tirar a própria vida e acabou detido.
Em outubro daquele mesmo ano, Melissa reencontrou integrantes da equipe de emergência responsável pelo resgate durante uma palestra. Entre eles estava Cameron, um dos bombeiros que participaram do atendimento. A aproximação entre os dois aconteceu gradualmente e, posteriormente, eles começaram um relacionamento.
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Cameron acompanhou Melissa em agosto de 2013, quando ela prestou depoimento no julgamento de Robert. Ele acabou condenado à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
Depois do processo, Melissa decidiu não seguir carreira na Enfermagem. Ela passou a realizar palestras sobre relacionamentos abusivos e cursou Administração de Empresas e Liderança Organizacional. Anos mais tarde, durante um evento esportivo, Cameron a surpreendeu com um pedido de casamento.
Desde então, Melissa passou a usar a própria experiência para conscientizar outras pessoas sobre violência doméstica. Ela afirma que o ataque não determina quem é e mantém a história como parte de sua trajetória. “Hoje, sinto-me muito abençoada por estar aqui. Sei que o ataque foi só um dia da minha vida, e isso nunca vai definir quem eu sou”, declarou.














