Lucas Jemeljanova, de 13 anos, se tornou o primeiro paciente a ser curado de um tipo raro e agressivo de câncer cerebral conhecido como glioma pontino intrínseco difuso (DIPG). Diagnosticado aos 6 anos, ele participou de um ensaio clínico e apresentou uma resposta inesperada a um medicamento que ainda não havia sido utilizado para tratar a doença.
O DIPG costuma ter um prognóstico grave. Apenas 10% das pessoas diagnosticadas sobrevivem por mais de dois anos. No caso de Lucas, porém, o tumor começou a desaparecer gradualmente depois que ele recebeu o medicamento durante o estudo clínico.
Aos 13 anos, sete anos depois do diagnóstico, Lucas está em remissão há cinco anos.
++ Noivos são surpreendidos por tempestade de areia durante ensaio e vídeo impressiona
O tratamento foi realizado em um ensaio clínico no qual Lucas foi escolhido aleatoriamente para receber um medicamento quimioterápico que já era utilizado contra outros tipos de câncer, mas cuja eficácia contra o DIPG ainda não havia sido estabelecida.
A resposta apresentada pelo menino chamou a atenção da equipe médica. Jacques Grill, médico de Lucas e responsável pelo programa de tumores cerebrais do Gustave Roussy Cancer Center, em Paris, acompanhou o caso e destacou a evolução apresentada pelo paciente.
Um dos fatores que podem explicar a resposta ao tratamento está nas características genéticas do tumor de Lucas. Segundo Grill, o câncer apresentava uma mutação extremamente rara que o tornou particularmente suscetível ao medicamento experimental.
A descoberta fez com que pesquisadores passassem a investigar as alterações genéticas presentes nos tumores de pacientes com DIPG para entender se o mecanismo observado no caso de Lucas poderia ser reproduzido em outras pessoas.
++ Ary Mirelle celebra 1 ano de Joaquim: “Ele trouxe ainda mais amor para nossa família”
Entre as estratégias estudadas estão os chamados organoides tumorais, estruturas produzidas artificialmente a partir de células e que reproduzem características dos órgãos. A intenção é utilizar esse modelo para estudar as alterações celulares observadas no tumor do adolescente.
Marie-Anne Debily, pesquisadora responsável pelo trabalho de laboratório, destacou a busca por um medicamento capaz de reproduzir os efeitos identificados nas células tumorais de Lucas. O processo, porém, apresenta dificuldades e pode levar uma década ou mais até que uma descoberta promissora se transforme em uma opção de tratamento.
O caso de Lucas, portanto, não significa que o DIPG tenha deixado de ser uma doença grave ou que o tratamento utilizado no adolescente funcione para todos os pacientes. A investigação continua concentrada em compreender por que o tumor dele respondeu ao medicamento e se essa característica poderá ajudar no desenvolvimento de novas alternativas contra a doença.













