Jess Burkinshaw, de 20 anos, passou dois anos tentando convencer médicos de que amputar a perna direita era a melhor opção para lidar com as dores provocadas pela síndrome da dor regional complexa (CRPS). Diagnosticada aos 15 anos, ela chegou a ficar oito meses sem sair de casa e decidiu passar pela cirurgia em abril deste ano, após diferentes tratamentos não apresentarem resultados.
A jovem convive com artrite idiopática juvenil desde os 16 meses de idade, quando começou a apresentar articulações inchadas, febre e dores intensas. Aos 15 anos, porém, a dor no tornozelo direito piorou de forma significativa. Inicialmente, ela acreditou que fosse uma crise de artrite, mas depois recebeu o diagnóstico de CRPS.
A dor passou a fazer parte da rotina da jovem. Segundo ela, em uma escala de um a dez, nunca ficava abaixo de sete. “Parecia que todo o meu pé estava machucado e que ele era continuamente esfaqueado, queimado e eletrocutado”, disse ao The Sun.
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O problema afetou os estudos e a vida social de Jess. Ela fez os exames GCSE em casa por não conseguir sair e perdeu mais da metade do último ano escolar. O frio também intensificava a dor, impedindo que ela usasse meia ou sapato. “Meu pior momento durante a doença foi há alguns anos, quando não conseguia sair de casa por oito meses e mal saía do meu quarto devido à intensidade da minha dor”, afirmou.
Ao longo dos anos, Jess tentou diferentes formas de tratamento, entre elas uma cirurgia de fusão do tornozelo e um teste com estimulador da medula espinhal. Ela também utilizou diversos medicamentos, que, segundo seu relato, afetaram sua saúde mental e provocaram depressão, ansiedade e alucinações.
Depois de mais de dois anos de conversas com cirurgiões, a jovem decidiu pela amputação da perna direita. Ela passou por avaliações de três especialistas. Dois apoiaram a realização do procedimento, enquanto outro demonstrou maior cautela. Mesmo assim, ela insistiu.
Jess contou que sabia que a cirurgia poderia não diminuir a dor, mas decidiu assumir o risco: “Uma amputação pode parecer um resultado pior para a maioria das pessoas, já que elas estão acostumadas com seus membros sem dor e funcionais. Acho que, se sentissem como é estar com uma dor horrível 24 horas por dia, mesmo que fosse apenas por um dia, seriam muito mais compreensivas e implorariam por qualquer coisa que diminuísse a dor, nem que fosse um pouco”.
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O procedimento foi realizado em abril. Desde então, Jess afirma que passou a sentir menos dor, consegue sair mais de casa e recuperou parte da independência. Ela ainda não utiliza uma prótese, mas já fez um molde e trabalha com fisioterapeutas usando um equipamento de reabilitação que permite praticar a caminhada. “Minha qualidade de vida melhorou muito, principalmente porque estou sentindo menos dor. Posso sair mais de casa, me sinto mais independente, estou dormindo muito melhor e me sinto mais eu mesma”, disse.
Para Jess, a decisão pela amputação não deixou dúvidas. “Foi definitivamente a decisão certa, sem dúvida. Eu confiava plenamente no meu cirurgião e sabia que era o melhor caminho a seguir”, declarou.














