Gêmeas siamesas são separadas após cirurgia de mais de 24 horas

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Hiyab e Wuhbto, irmãs que nasceram unidas pela cabeça, foram separadas após uma cirurgia realizada em fevereiro nos Estados Unidos. O caso foi divulgado nesta quarta-feira (16) pelo SSM Health Cardinal Glennon Children’s Hospital, responsável pelo procedimento.

Nascidas na Etiópia, as meninas chegaram aos Estados Unidos em março de 2025, pouco antes de completarem 1 ano, para iniciar os preparativos para a operação. O planejamento envolveu mais de 300 horas de trabalho e a participação de mais de 30 profissionais no dia da cirurgia.

O procedimento começou na manhã de 24 de fevereiro, e a separação ocorreu às 2h31 da madrugada do dia seguinte. Ao todo, foram mais de 24 horas de cirurgia. Depois que as meninas foram separadas, duas equipes formadas por quatro cirurgiões trabalharam simultaneamente.

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A condição das irmãs é considerada extremamente rara. Dados da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos apontam que gêmeos unidos pela cabeça correspondem a cerca de um caso a cada 2,5 milhões de nascimentos e representam menos de 6% dos casos de gêmeos unidos.

Um levantamento com 69 casos documentados registrou apenas 62 tentativas de separação no mundo. Hiyab e Wuhbto completaram 2 anos em março deste ano e continuam recebendo cuidados intensivos e acompanhamento multidisciplinar. Mais de 100 profissionais estão envolvidos no atendimento das duas, segundo o hospital.

O tratamento também contou com a atuação de diferentes organizações. O Ranken Jordan Pediatric Bridge Hospital ficou responsável pelos cuidados antes e depois da cirurgia, enquanto a World Pediatrics participou da tutela e do consentimento, da defesa das meninas e da família, da coordenação internacional e da rede de cuidadores voluntários.

Antes da viagem aos Estados Unidos, as irmãs eram cuidadas pelo Lar Infantil Lola, na Etiópia. Já a Ronald McDonald House Charities ofereceu hospedagem e apoio ao responsável legal durante o tratamento. A Ethiopian Airlines providenciou o transporte especializado das meninas.

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“Esta história reflete o melhor de nós, trazendo esperança, cura e oportunidades antes consideradas impossíveis para crianças e famílias quando elas mais precisam. Desde nossos profissionais de saúde e equipes clínicas até nossa comunidade e parceiros globais, inúmeras pessoas se uniram em torno de uma missão compartilhada para criar novas possibilidades para essas duas jovens e seu futuro”, afirmou Hossain Marandi, presidente do hospital onde a cirurgia foi realizada.

Após a separação, Hiyab e Wuhbto iniciaram um processo de reabilitação voltado ao desenvolvimento de habilidades que não podiam praticar da mesma maneira quando estavam unidas. As atividades incluem aprender a sentar, ficar em pé, caminhar, comer e falar, além de brincar e interagir individualmente.

“Embora ainda estejam no meio de uma longa jornada médica, estão progredindo para um dia levarem uma vida independente”, afirmou o médico Nick Holekamp, do Ranken Jordan Pediatric Bridge Hospital, onde as meninas realizam a reabilitação.

A recuperação ainda não foi concluída. Wuhbto já passou por uma cirurgia de reconstrução do crânio, enquanto Hiyab se prepara para realizar o mesmo procedimento nos próximos meses. As duas permanecem acompanhadas pelas equipes médicas e já conseguem participar separadamente de atividades do dia a dia.