O retorno aos escritórios está provocando uma mudança inesperada no mercado imobiliário de São Paulo. Durante a pandemia, o home office permitiu que muitas famílias deixassem a capital em busca de imóveis maiores e cidades mais tranquilas. Agora, com empresas exigindo novamente mais presença física, a proximidade entre casa e trabalho voltou a pesar na escolha de onde morar. Em 2025, a capital paulista registrou 90.402 escrituras de compra e venda, número 49,6% maior que o de 2020.
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Enquanto São Paulo ganhou força, alguns municípios que haviam se destacado durante a expansão do trabalho remoto perderam ritmo. Entre 2021 e 2025, as escrituras caíram 57% em Itupeva, 41% em Cotia, 36% em Indaiatuba e 31% em Atibaia. Também houve retração em São João da Boa Vista, Peruíbe, Itu e Itatiba. Segundo o vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil em São Paulo, Andrey Guimarães Duarte, os números não significam necessariamente uma saída em massa de moradores, mas indicam uma redução na intensidade das transações depois do crescimento excepcional registrado durante a pandemia.
O retorno ao presencial também trouxe de volta custos e dificuldades que haviam perdido importância para quem trabalhava de casa. Uma pesquisa da WeWork com a Offerwise apontou que 63% dos profissionais trabalham presencialmente, sendo que, para 79% deles, essa condição é determinada pela empresa. O deslocamento aparece entre as principais desvantagens: 65% citam o tempo gasto no trajeto, enquanto 53% relatam aumento das despesas com transporte, combustível e alimentação.
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Apesar da desaceleração em algumas cidades, o movimento não é uniforme. Taboão da Serra teve alta de 73% nas escrituras entre 2021 e 2025, seguida por Bauru (42%), Barueri (26%), Paulínia (19%) e Limeira (14%). No interior turístico, o volume terminou 2025 praticamente no nível anterior à pandemia, enquanto o litoral permaneceu cerca de 20% acima de 2020, mas sem crescimento relevante desde 2023. Os dados mostram uma nova fase do mercado: para parte dos compradores, morar perto dos centros de emprego voltou a disputar espaço com fatores como preço, tamanho do imóvel e qualidade de vida.













