
Estudantes seguram faixa “Soldi alla scuola, non alla guerra” em protesto por mais investimentos na educação pública (Foto: Instagram)
Neste sábado (17), estudantes italianos voltaram às ruas pelo segundo dia consecutivo em cidades como Cagliari, Bolonha, Bergamo e Corigliano Rossano para reivindicar maior investimento na educação pública e a redução de despesas com armamentos e conflitos. Além das pautas sobre ensino, os atos também criticaram o alto custo de vida. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a mobilização como legítima, mas repudiou ataques contra policiais e pediu que a oposição condene a violência. Em declarações após o Conselho Europeu em Bruxelas, Meloni afirmou: “Fico sempre satisfeita quando há mobilização”, mas ressaltou que o uso de artefatos explosivos e agressões a agentes não podem ser tolerados.
Em Cagliari, cerca de 600 estudantes participaram do “No Meloni Day”, concentrando-se na Piazza Garibaldi e marchando até a sede do Conselho Regional na Via Roma. Universitários instalaram barracas em frente à Faculdade de Humanidades para denunciar a elevação dos aluguéis e o custo de vida. Munidos de cartazes, faixas, apitos e instrumentos musicais, os manifestantes tomaram as ruas centrais. Apesar de a participação ter ficado abaixo do esperado pelos organizadores, manteve patamar semelhante ao do dia anterior.
Os protestos foram embalados por uma faixa principal com a frase “Dinheiro para as escolas, não para a guerra” e bandeiras de movimentos independentes, pacifistas e associações acadêmicas. Fotografias de Giorgia Meloni, Elly Schlein, Giuseppe Valditara, Carlo Nordio, Antonio Tajani e o logotipo da empresa de defesa Leonardo foram colocados no chão, cobertos por impressões de mãos em tinta vermelha como símbolo do sangue. Além disso, sinalizadores de fumaça vermelha pontuaram o trajeto, reforçando o caráter simbólico da mobilização.
Os estudantes reivindicam escolas seguras e acolhedoras, melhores condições estruturais nas universidades, financiamento para pesquisa e um sistema de ensino mais acessível e eficiente. “Estamos aqui por causa das condições da nossa universidade, da falta de recursos à pesquisa, aos programas de doutorado e ao corpo docente”, explicou Francesco Ledda, aluno de História da Universidade de Cagliari. Ele também chamou atenção para a importância de valorizar a história e a identidade da Sardenha, garantindo apoio institucional à população local.
Em Corigliano Rossano, na Calábria, a manifestação reuniu estudantes, moradores e agricultores que há dias protestam contra o aumento dos preços dos combustíveis. Uma fila de tratores acompanhou o cortejo pelas ruas urbanas, reforçando a ligação entre as demandas por educação e as críticas ao custo de vida. Antonio Emanuel Rizzo, porta-voz da Coordenação Regional dos Conselhos Estudantis da Calábria, repudiou os confrontos ocorridos na sexta-feira em frente ao Ministério da Educação, em Roma, defendendo que as reivindicações sejam apresentadas por meio do diálogo com as instituições.
Em Bergamo, alunos do ensino médio percorreram a Piazzale Marconi até Porta Nuova cantando slogans contra a guerra e a favor da paz na Palestina, além de entoar “Bella Ciao”. Contudo, parte dos jovens se desviou até o terminal rodoviário, onde vandalizou lixeiras e sinalização; cerca de dez manifestantes foram levados à delegacia para esclarecimentos. Já em Bolonha, grupos de estudantes bloquearam entradas de escolas de ensino médio na Piazza Aldrovandi, ergueram barreiras para impedir a circulação de veículos e paralisaram o trânsito no centro histórico.






