Escrever Heartstopper hoje seria mais difícil por causa dos algoritmos, diz Alice Oseman

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Alice Oseman na Estação Bienal do Rio de Janeiro (Foto: Instagram)

Durante entrevista exclusiva, Alice Oseman, autora de 30 anos por trás de Heartstopper, relatou o sucesso que a HQ conquistou nas telonas e o carinho que recebeu dos fãs brasileiros. Segundo a escritora, a repercussão da série superou todas as suas expectativas iniciais e consolidou-se como um fenômeno internacional.

Questionada sobre o atual cenário das redes sociais, Oseman destacou que, se começasse a publicar Heartstopper hoje, encontraria um obstáculo que não existia quando ela estreou a história: a influência dos algoritmos. “Imagino que seja muito mais difícil criar uma comunidade e fazer com que as pessoas retornem para acompanhar seu trabalho”, afirmou a autora, que se sente privilegiada por ter lançado a WebComic em 2016, antes das mudanças drásticas nas plataformas digitais.

O universo de Heartstopper teve início no Tumblr, ainda em 2016, como um projeto independente. Desde então, a narrativa de Charlie e Nick rendeu seis volumes da HQ, três temporadas de uma série de streaming e um longa-metragem pela Netflix. A obra conquistou leitores ao redor do mundo e se tornou um marco na representação de relacionamentos LGBTQIAPN+.

A trama gira em torno do jovem Charlie Spring, que enfrenta preconceito ao assumir sua homossexualidade na escola, e de Nick Nelson, um popular jogador de rúgbi inicialmente visto como heterossexual. À medida que a amizade entre os dois se aprofunda, Nick descobre sua bissexualidade e ambos protagonizam uma jornada de autodescoberta, lidando com a adversidade e os dramas típicos da adolescência.

No início de setembro, a escritora visitou São Paulo para participar de um painel na Bienal do Livro e, em seguida, esteve na Estação Bienal, no Rio de Janeiro, evento itinerante que aproxima autores e leitores. Antes do encontro carioca, Oseman conversou com a reportagem sobre a receptividade do público e ressaltou o entusiasmo dos fãs brasileiros.

Sobre o processo de adaptação da HQ para o audiovisual, a autora contou que participou ativamente em todas as etapas, garantindo que a essência da história fosse mantida. “Não consigo apenas entregar o roteiro e sair de cena; queria muito colaborar para que tudo ficasse fiel ao que imaginei”, explicou, elogiando o elenco e a equipe de produção.

Perguntada sobre novos projetos, Alice revelou que planeja tirar um período de descanso antes de retomar trabalhos. Ela pretende voltar aos quadrinhos, escrever novos livros e explorar mais projetos para cinema e televisão, sem descartar a possibilidade de outras de suas obras serem adaptadas futuramente.