
Real se valoriza e dólar cai abaixo de R$5 com fortalecimento de Flávio Bolsonaro (Foto: Instagram)
Na sexta-feira, 9 de outubro, o dólar exibiu queda consistente, encerrando o pregão abaixo de R$ 5,00 após dois dias de alta. Além da elevação do apetite ao risco no exterior, que favoreceu moedas como o real, a cotação reagiu ao fortalecimento das chances do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançar a Presidência. O mercado financeiro considera uma vitória da oposição essencial para reavaliar a política fiscal a partir de 2027.
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Levantamentos do Datafolha e da AtlasIntel/Bloomberg para o segundo turno apontam Flávio à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse cenário, ganhou destaque a divulgação de um suposto áudio de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mencionando repasses para um documentário sobre Lula, informação não confirmada pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República. Fontes dessas instituições, ouvidas pelo UOL, negam a existência da gravação e atribuem sua divulgação a uma estratégia da defesa de Vorcaro. A jornalista Daniela Lima, do Pulso Político (Canal UOL), apurou que o advogado Daniel Bialski, integrante da defesa do ex-banqueiro, nega as declarações sobre o financiamento do filme.
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Após atingir mínima de R$ 4,9766 no início da tarde, o dólar à vista fechou em R$ 4,9851, recuo de 0,78%. O real ficou com o segundo melhor desempenho entre as moedas de maior liquidez, atrás apenas do peso colombiano. Na primeira semana após o primeiro turno das eleições, a divisa norte-americana acumulou desvalorização de 4,44% no mercado local, enquanto, no ano, o dólar registra queda de 9,18%.
Ricardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, afirma que houve realização de lucros nos últimos dias, mas que as pesquisas eleitorais reforçaram a expectativa de reformulação completa da política fiscal e econômica. Segundo ele, a cotação só seguirá rumo aos R$ 4,70 se for apresentado um plano consistente: “O candidato Flávio chega ao segundo turno sem equipe formada.”
O índice DXY, que avalia o dólar ante seis moedas fortes, subia 0,08%, impulsionado pelas perdas do iene e do euro, este no nível mais baixo em mais de dois anos. As taxas dos Treasuries de 10 e 2 anos também avançaram. Já o preço do petróleo registrou leve alta, mas passou a cair no pregão eletrônico depois que o ex-presidente Donald Trump anunciou acordo com Vladimir Putin para fornecimento imediato de mais de 300 mil toneladas de diesel.
Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil, alerta para o impacto do estreitamento do diferencial de juros reais entre Brasil e EUA. Enquanto a taxa real americana sobe, a brasileira recua, em grande parte devido ao menor prêmio de risco associado à perspectiva de alternância de poder. A disputa por capital, impulsionada pelos investimentos em tecnologia, pressiona os juros globais. “O real pode se apreciar a R$ 4,90 no curto prazo, mas o grande movimento já ocorreu.”
Para Mark McCormick, estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, a provável nova alta de juros pelo Federal Reserve ainda este ano tende a limitar o fôlego do real. Ele avalia que a recente valorização foi “rápida e forte” demais. Segundo McCormick, o resultado das eleições não substitui um plano fiscal e, embora Flávio conte com coligação maior do que o esperado, o corte de gastos enfrenta barreiras como indexação constitucional e despesas obrigatórias. “A taxa de câmbio deve retornar a R$ 5,10 antes do fim do ano.”






