Depoimento de Jaques Wagner à PF no caso Master é adiado; entenda o motivo

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Senador Jaques Wagner em sessão no Senado Federal (Foto: Instagram)

O senador Jaques Wagner (PT-BA) não comparecerá à Polícia Federal nesta sexta-feira, 7 de agosto, para prestar depoimento sobre o caso Master, conforme previsto na Operação Compliance Zero. A oitiva foi adiada a pedido da defesa do parlamentar, que argumentou não ter tido acesso às informações e documentos que embasam as investigações. Segundo a assessoria, o senador “pretende falar” sobre as suspeitas, mas só concorda em se manifestar após análise detalhada do material produzido pela PF, cuja disponibilização ainda enfrenta entraves técnicos documentados.

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Esta é a segunda vez em poucos dias que um depoimento é suspenso no contexto da Compliance Zero. Dias antes, o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e um dos alvos da operação, também teve sua oitiva cancelada pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, cuja liquidação foi determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado.

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O senador foi intimado em 21 de julho para esclarecer sua relação com Augusto Lima. De acordo com a defesa, o pedido de adiamento decorre “exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.” A nota reforça que Wagner só prestará depoimento após ter condições de examinar o que efetivamente consta no inquérito.

A Operação Compliance Zero investiga o funcionamento de um esquema de fraudes supostamente orquestrado no Banco Master, envolvendo operações de crédito e movimentações financeiras irregulares. Os investigadores buscam identificar a participação de políticos, empresários e operadores na estrutura que teria provocado prejuízos bilionários. Em sua nona fase, a PF realizou ações de busca e apreensão em diversos endereços vinculados aos investigados, incluindo imóveis ligados a familiares do senador.

Segundo as apurações, Jaques Wagner é suspeito de ter recebido, por meio de empresa de familiar, um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos que totalizam R$ 3,5 milhões em propina. Essa estrutura teria servido para ocultar vantagens indevidas decorrentes das fraudes. Os policiais também analisam se o senador aproveitou a condição de parlamentar para defender, no Congresso, pautas de interesse do Banco Master, como ampliação do crédito consignado e alterações em regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Na nota divulgada pela assessoria, a defesa de Jaques Wagner reiterou que ele não atuou em favor do Master e se coloca “à disposição das autoridades”. A peça afirma ainda que o senador defenderá sua inocência ao ter acesso a todos os documentos e provas, refutando qualquer ato de favorecimento ou recebimento ilícito. Até o momento, não há nova data para a oitiva, que foi suspensa até a resolução dos impedimentos técnicos apontados pela defesa.