A geração Z transformou um sentimento curioso em uma verdadeira tendência nas redes sociais: o chamado “ick”. O termo descreve aquela perda repentina de interesse por alguém depois de um comportamento considerado estranho, constrangedor ou simplesmente incômodo. Mesmo sem envolver atitudes graves, essa sensação pode ser suficiente para acabar com qualquer chance de um segundo encontro e já virou assunto entre milhões de usuários na internet.
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Apesar de parecer uma novidade, a expressão existe há décadas e significa algo parecido com “eca” ou “nojinho” em inglês. Ela ganhou força em 2017, após aparecer no reality britânico Love Island, mas foi a partir de 2020 que explodiu no TikTok. Desde então, pessoas passaram a compartilhar situações aparentemente banais que fizeram a atração desaparecer de forma instantânea, como um jeito diferente de correr, falar ou até de usar uma mochila.
O fenômeno também chamou a atenção da ciência. Um estudo publicado em 2025 investigou as possíveis explicações para essa reação e apontou que ela pode estar ligada a um mecanismo evolutivo de repulsa, originalmente associado à proteção contra doenças e posteriormente aplicado, de forma inconsciente, à escolha de parceiros. A pesquisa ainda observou que mulheres, pessoas mais perfeccionistas e indivíduos com maior sensibilidade ao nojo tendem a relatar o “ick” com mais frequência.
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Os pesquisadores, porém, destacam que ainda não é possível afirmar se o “ick” realmente ajuda a identificar incompatibilidades ou se apenas incentiva julgamentos exagerados sobre pequenos detalhes. Especialistas também lembram que o conceito é diferente das chamadas “red flags”: enquanto estas indicam comportamentos potencialmente prejudiciais em um relacionamento, o “ick” costuma surgir por hábitos cotidianos que, na maioria das vezes, não representam qualquer risco para a convivência.

