
Negação e minimização do Holocausto crescem entre jovens na Alemanha, alerta diretora do Centro Anne Frank de Berlim. (Foto: Instagram)
A negação e a minimização do Holocausto estão aumentando entre os jovens na Alemanha, afirmou Veronika Nahm, diretora do Centro Anne Frank de Berlim. Em entrevista à agência de notícias católica KNA, ela disse que o fenômeno é visível às vésperas de 9 de novembro, data que marca os 88 anos dos pogroms de novembro.
Em 1938, nessa data, o regime nazista promoveu uma série de ataques violentos contra judeus e instituições judaicas em todo o território do então Reich Alemão. Segundo Nahm, a desinformação e a falta de conhecimento sobre esse período aparecem tanto nas redes sociais quanto em exposições.
Em uma publicação do centro sobre o aniversário de Otto Frank (1889-1980), por exemplo, alguém comentou: “Eu já comemorei o dia 20 de abril”, em referência ao aniversário de Adolf Hitler. Otto Frank foi o único integrante de sua família a sobreviver ao Holocausto. Pai de Anne Frank, tornou públicos os diários escritos por ela enquanto a família viveu escondida. Anne foi assassinada no campo de concentração de Bergen-Belsen, e seus relatos se tornaram conhecidos mundialmente.
Nahm também citou comentários que questionam por que Anne Frank é lembrada, mas não uma criança em Gaza. A diretora afirmou que manifestações semelhantes são percebidas nas exposições itinerantes organizadas todos os anos em cerca de 20 cidades alemãs. Nessas ocasiões, visitantes chegam a perguntar, incrédulos, se aquilo realmente aconteceu.
Para Nahm, muitas vezes essas reações não decorrem de má-fé, mas de desconhecimento. O tema, segundo ela, já não é abordado nas escolas alemãs com a mesma profundidade de 15 anos atrás. A diretora atribui parte dessa mudança à renovação geracional entre os professores: muitos docentes mais velhos tratavam o assunto em diferentes disciplinas, enquanto hoje a situação é diferente.
A diretora acrescentou que muitos jovens também recebem menos informações sobre o nazismo em casa. Assim, acabam recorrendo às redes sociais e até a videogames para aprender sobre o tema, em ambientes nos quais podem encontrar conteúdos falsos. Nahm alerta que não é possível compreender a Alemanha atual sem conhecer o período nazista.






