Britânico que partiu a pé do Chile em 1998 está perto de completar volta ao mundo

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Após quase 28 anos e uma caminhada por quatro continentes, Karl Bushby está prestes a chegar à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra. (Foto: Instagram)

Karl Bushby está prestes a concluir uma caminhada ao redor do mundo que começou no Chile em 1998. Aos 57 anos, ele planeja chegar ainda nesta semana à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra, depois de quase 28 anos de viagem e de ter atravessado quatro continentes.

A ideia surgiu em meados da década de 1990, quando Bushby era paraquedista do Exército Britânico e procurava um desafio de resistência. Seu pai sugeriu que ele cruzasse a pé o Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, quando as águas congelassem. Bushby traçou no mapa um percurso da Inglaterra pela Europa e pela Ásia, até a América do Sul. “Era exatamente o que eu estava procurando”, recorda.

Ele começou em Punta Arenas, no sul do Chile, em novembro de 1998, aos 29 anos. Tinha cerca de 500 dólares e levava suprimentos em um carrinho de golfe modificado, apelidado de “A Besta”. Em um dia comum, tentava caminhar cerca de 29 km antes de acampar. No início, enfrentou clima rigoroso, pouca comida e falta de apoio; depois, pessoas passaram a oferecer dinheiro e mantimentos.

A expedição o levou da selva do Darién à tundra da Sibéria. Bushby foi preso, deportado, perdeu todo o dinheiro, se perdeu e chegou a ser dado como desaparecido. Guerras, crises econômicas e a pandemia também interromperam o percurso. Quando precisava parar, geralmente se abrigava no México até encontrar uma forma de retomar a caminhada. Ele não usou transporte para avançar e decidiu não voltar ao solo britânico antes do fim, o que dificultou o contato com a família.

Nos Estados Unidos, a partir de 2002, Bushby diz que passou a ser visto como incômodo ou ameaça e era frequentemente abordado pela polícia. Também conseguiu patrocínios que rendiam algumas centenas de dólares por mês. No Canadá, em 2003, percebeu que empurrar o carrinho por trás era mais fácil do que puxá-lo. Ao longo dos anos, fez pausas para se recuperar e escapar da rotina, que descreveu como extremamente tediosa.

A decisão de permanecer longe da Inglaterra afetou a relação com seu filho, Adam, que tinha 8 anos quando a jornada começou. Os dois se reencontraram no Alasca em 2004, quando Adam tinha 14 anos. Agora com 36, ele diz que respeitou a escolha do pai e está ansioso para recebê-lo em casa e apresentá-lo a Harley, sua filha de 12 anos, que ainda não conhece o avô.

Depois de atravessar a nado o Canal da Mancha, em outubro, Bushby chegou à Grã-Bretanha. Na manhã seguinte, sentiu uma grande sensação de perda ao pensar no fim da viagem, com apenas algumas centenas de quilômetros restantes. Ele ainda não sabe o que fará depois, mas considera trabalhar como educador de ciências. Também quer compartilhar com jovens uma das lições da jornada: a bondade de estranhos que ofereceram abrigo, comida, ajuda e acolhimento em diferentes países.