Menina de 5 anos reclama de dor nas costas, recebe antibióticos e descobre doença grave

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Uma menina britânica de 5 anos foi diagnosticada com neuroblastoma de alto risco, um tipo de câncer infantil, após passar por oito atendimentos de emergência e duas consultas em serviços de urgência durante seis dias. Arianna começou a apresentar dores nas costas, febre e vômitos em novembro de 2021, na Inglaterra, mas recebeu inicialmente tratamentos para infecções. A doença só foi identificada depois que um exame de ultrassom revelou uma massa na região de um dos rins.

A mãe da criança, Abigail Solieri, de 38 anos, relatou que procurou atendimento médico repetidas vezes à medida que a filha piorava. Além das dores, Arianna passou a ter dificuldades para caminhar. Em uma das consultas, recebeu diagnóstico de infecção renal e foi medicada com antibióticos. Posteriormente, também foi tratada por suspeita de meningite e sepse.

Moradora de Ware, em Hertfordshire, Abigail contou que insistiu em uma investigação mais aprofundada após as sucessivas visitas ao hospital. Em 19 de novembro, durante o oitavo atendimento de emergência, pediu que a equipe encontrasse uma explicação para os sintomas da filha. “Na sexta-feira, dia 19 [de novembro], levei-a novamente à emergência, pela oitava vez. Eu disse: ‘Não vou esperar mais. Já estive aqui oito vezes. Preciso de respostas’”, relatou.

O ultrassom realizado naquela ocasião identificou uma massa abdominal. Após a descoberta, Arianna foi transferida para o Great Ormond Street Hospital, em Londres, onde iniciou o tratamento na semana seguinte.

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Os exames mostraram que o câncer havia se espalhado para outras regiões do corpo, incluindo as pernas, o crânio e as órbitas dos olhos. Diante da extensão da doença, os médicos iniciaram a quimioterapia, mas os resultados dos exames realizados no começo de 2022 mostraram que ainda existiam 31 focos de câncer.

Como a resposta ao tratamento inicial não foi suficiente, a família precisou avaliar outras alternativas. Arianna passou por uma terapia chamada BiTE, que reduziu de 31 para 21 o número de focos identificados. Entretanto, o resultado ainda não atendia aos critérios necessários para avançar no tratamento.

Em junho de 2022, a menina ingressou no estudo clínico MiNivAn, conhecido pelos pais por meio da organização Solving Kids Cancer. Posteriormente, foi submetida ao tratamento com MIBG, uma modalidade de radioterapia direcionada que exigiu isolamento por quatro semanas devido à radiação.

Após essa etapa, os exames deixaram de identificar focos de câncer. Arianna também recebeu quimioterapia em altas doses e precisou passar por procedimentos relacionados à recuperação das células-tronco e à reconstrução de sua proteção imunológica.

Em janeiro de 2023, a menina foi submetida a uma cirurgia de seis horas e meia para retirar o tumor, que havia diminuído de 7,5 para 2 centímetros. O tratamento continuou com 12 sessões de radioterapia e imunoterapia, iniciada em outubro daquele ano, mas interrompida antecipadamente após uma reação alérgica grave.

Ao final dessas etapas, os médicos classificaram o quadro como sem evidências detectáveis da doença. Mesmo assim, diante do risco de retorno do câncer, a família arrecadou recursos para custear um tratamento de manutenção em Nova York, nos Estados Unidos.

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Arianna, atualmente com 10 anos, está em remissão, mas ainda enfrenta consequências dos procedimentos realizados durante a infância. Segundo a mãe, a menina perdeu parte da audição para sons de alta frequência, sofreu danos em órgãos internos e apresenta dificuldades para caminhar normalmente devido à rigidez nos tornozelos e nas panturrilhas.

Ao falar sobre a filha e os anos de tratamento, Abigail resumiu: “Arianna é uma pequena Mulher-Maravilha”.