
Urologista aponta modelo da próstata para explicar a técnica HoLEP no tratamento da hiperplasia prostática benigna. (Foto: Instagram)
O HoLEP (enucleação prostática com laser de Holmium) tem se destacado no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB) ao retirar o tecido responsável pela obstrução urinária por via uretral, sem necessidade de cortes externos. Indicada quando a terapia medicamentosa não controla os sintomas ou surgem complicações, a técnica remove amplamente o adenoma prostático e, ao mesmo tempo, promove coagulação dos vasos, reduzindo sangramentos e acelerando a alta hospitalar.
A HPB caracteriza-se pelo crescimento não maligno da próstata que, ao comprimir a uretra, provoca jato urinário fraco, demora para iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto, urgência miccional e acordar várias vezes à noite para urinar. Quando os remédios não aliviam esses sinais — ou em casos de retenção urinária, infecções recorrentes, cálculos vesicais e prejuízo renal —, a intervenção cirúrgica torna-se recomendada.
Em comparação à ressecção transuretral da próstata (RTU), popularmente chamada “raspagem”, o HoLEP apresenta menor perda sanguínea e menor necessidade de transfusões. Dados da European Association of Urology apontam ainda redução no tempo de sondagem e internação em relação à RTU monopolar, além de menor risco de hemorragia e internação mais breve quando comparado ao procedimento bipolar. “O HoLEP permite remover de maneira ampla o tecido prostático obstrutivo, favorecendo a melhora do fluxo urinário e contribuindo para a durabilidade do resultado, desde que haja indicação adequada”, explica o Dr. Ricardo Haidar, urologista (CRM-SP 156.529 | RQE 86.409).
Apesar das vantagens iniciais, é fundamental discutir possíveis complicações, como sangramento residual, infecção urinária, dificuldade temporária de continência, estreitamento uretral e ejaculação retrógrada. Esses eventos, embora incomuns, fazem parte do consenso pré-operatório e exigem acompanhamento próximo nas primeiras semanas de recuperação.
A enucleação profunda do adenoma, separando-o da cápsula prostática, justifica a longa manutenção dos resultados. Estudos comparativos indicam baixa taxa de reintervenção, pois o implante do laser de Holmium remove grande parte do tecido obstrutivo, sem extirpar completamente a glândula. Pesquisa publicada no Journal of Endourology, com acompanhamento de cinco anos, mostrou que melhorias no fluxo urinário, no esvaziamento da bexiga, nos sintomas e na qualidade de vida permanecem estáveis ao final desse período. “A durabilidade não deve ser confundida com promessa de cura definitiva. O paciente segue sujeito ao envelhecimento prostático e vesical, o que pode alterar a micção ao longo do tempo”, alerta o especialista.
A escolha entre HoLEP, RTU, cirurgia robótica ou outras técnicas depende do volume prostático, intensidade dos sintomas, condições clínicas do paciente, terapias em uso e experiência da equipe. A avaliação individualizada por um urologista é essencial para indicar o melhor procedimento e garantir segurança, eficácia e durabilidade dos resultados.






