Dólar sobe globalmente diante da crise da dívida na zona do euro e incertezas políticas na França

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Dólar dispara com crise na zona do euro e instabilidade francesa (Foto: Instagram)

O dólar iniciou a semana em alta no mercado internacional, impulsionado pelo agravamento da crise da dívida pública na zona do euro e pelas incertezas políticas na França. Analistas destacam que o cenário de endividamento crescente nos países que adotam o euro, combinado à instabilidade político-eleitoral francesa, tem levado investidores a buscar refúgio na moeda norte-americana. A expectativa é de que o Banco Central Europeu (BCE) precise intervir em breve para conter a desvalorização da moeda única e restaurar a confiança dos mercados.

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Na sessão de segunda-feira (05), por volta das 17h, o dólar era cotado a 157,97 ienes, enquanto o euro recuava para US$ 1,1221. A libra esterlina também perdeu terreno e era negociada a US$ 1,3222. Já o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, registrou alta de 0,23%, alcançando 102,167 pontos. Esses movimentos refletem o apetite por ativos considerados mais seguros em meio a tensões fiscais e geopolíticas.

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Em declarações ao Financial Times, Emmanuel Moulin, presidente do Banco da França, alertou que o país corre o risco de ser “estrangulado pelos juros” caso não avance em um programa de consolidação fiscal. Moulin defendeu a aprovação de um orçamento com cortes de 43 bilhões de euros em gastos públicos e elevação de tributos para reduzir o déficit, estimado em 5,4% do PIB neste ano. Ele ressaltou que, embora a França não esteja na mesma situação da Grécia durante a crise anterior do euro, os elevados rendimentos dos títulos franceses — superiores aos de outros membros do G7 — indicam a urgência de medidas para retomar a confiança dos investidores.

Além da situação francesa, a Espanha também despertou preocupações nos mercados ao anunciar eleições gerais antecipadas para 29 de novembro, convocadas pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. O temor de contágio nos mercados de dívida europeus fez o euro atingir seu menor valor desde maio de 2025, pressionando ainda mais a moeda comum num momento de vulnerabilidade.

O banco Société Générale enfatiza que a depreciação do euro complicará o combate à inflação pelo BCE. Com os preços do petróleo e do gás natural em patamares elevados, o repasse cambial tende a intensificar os custos de produção das indústrias e reduzir a renda real das famílias europeias. Segundo o banco, a pergunta que se impõe é por quanto tempo o BCE resistirá antes de defender publicamente a moeda única e tentar frear seu ritmo de queda.