Testemunhas de Jeová mudam diretriz sobre doação de componentes sanguíneos

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Bolsas de componentes sanguíneos prontos para uso médico (Foto: Instagram)

Em comunicado oficial, as Testemunhas de Jeová anunciaram uma alteração em sua orientação sobre o uso de sangue em tratamentos médicos. A partir de agora, cada fiel poderá decidir, de acordo com sua consciência, se aceita ou doa componentes sanguíneos específicos, em vez de seguir uma proibição rígida. Trata-se de uma flexibilização nas normas internas da religião, que considerava todos os procedimentos com frações de sangue como vetados. A mudança visa reconhecer a autonomia individual diante de temas considerados sensíveis pelos princípios da denominação.

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De acordo com o comunicado, a nova diretriz abrange quatro componentes principais: hemácias, leucócitos, plasma e plaquetas. Os membros passam a ter liberdade para escolher se desejam doar esses elementos ou receber transfusões que os contenham. As congregações foram orientadas a não influenciar essas decisões, considerando-as estritamente uma questão de consciência pessoal. “Cada Testemunha deve decidir se vai ou não doar sangue com o propósito claramente expresso de fornecer componentes ou frações para uso por outra pessoa”, afirmou Paul Gillies, porta-voz internacional da organização.

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O pronunciamento oficial foi feito na sexta-feira, dia 18, por Paul Gillies, que deixou claro que a modificação não implica liberação para transfusões de sangue total. A religião mantém a proibição desse tipo de procedimento, alegando base em ensinamentos bíblicos que tratam o sangue como algo sagrado. A restrição a transfusões completas segue inalterada, mesmo com a permissão para o uso ou doação de partes específicas do sangue.

Historicamente, as Testemunhas de Jeová entendem que a Escritura Sagrada impõe limites ao uso de sangue, mas não detalha todas as frações ou partes em suas orientações. Por essa razão, a comunicação passa a classificar os componentes sanguíneos como uma decisão individual de cada membro. A mudança reflete uma adaptação na abordagem da organização, que busca equilibrar suas convicções religiosas com o respeito às escolhas pessoais em contextos médicos sensíveis.

Essa alteração amplia outra flexibilização anunciada em março de 2026, quando foram autorizados procedimentos envolvendo a coleta, armazenamento e reuso do próprio sangue do paciente. Agora, a autonomia atribuída aos fiéis atinge também hemácias, leucócitos, plasma e plaquetas, permitindo que cada um deles avalie a conveniência desses tratamentos. A organização destaca que as escolhas pessoais devem ser respeitadas pelos profissionais de saúde, reforçando o compromisso com decisões baseadas na consciência individual.

“Somos gratos aos muitos médicos habilidosos e compassivos que oferecem um bom atendimento e respeitam nossos desejos pessoais quando o assunto envolve sangue”, declarou Paul Gillies. O porta-voz enfatiza que a atitude demonstra reconhecimento pelo trabalho dos profissionais de saúde e pela necessidade de estabelecer um diálogo de respeito às convicções religiosas dos pacientes. Apesar da flexibilização, a denominação mantém a visão de que a transfusão completa permanece incompatível com seus princípios.