Um novo estudo escancarou uma realidade que milhões de brasileiros sentem no bolso todos os meses: o salário mínimo atual está longe de garantir uma vida considerada digna. A pesquisa, realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em parceria com o Anker Research Institute, calculou quanto trabalhadores e famílias precisam ganhar para cobrir despesas essenciais em 79 regiões do país.
O levantamento levou em conta gastos com alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, comunicação, lazer e até uma reserva financeira para emergências. O resultado chamou atenção: em nenhuma das regiões analisadas o valor necessário para viver com tranquilidade ficou abaixo do salário mínimo de R$ 1.621. Nem mesmo nas áreas com menor custo de vida do Brasil.
Em São Paulo, por exemplo, uma família formada por dois adultos e duas crianças precisaria de uma renda líquida mensal de R$ 6.155 para manter um padrão básico de bem-estar. Já um trabalhador em tempo integral precisaria receber cerca de R$ 4.022 líquidos por mês. No outro extremo da pesquisa, o menor valor foi registrado no Sul de Roraima, onde o chamado “salário digno” foi estimado em R$ 1.904.
Os dados também revelam diferenças expressivas entre as regiões brasileiras. Enquanto áreas do Norte apresentam custos mais baixos, grandes centros urbanos concentram os maiores gastos, principalmente com moradia e transporte. Segundo os pesquisadores, o estudo pode servir como base para debates sobre remuneração, desigualdade regional e qualidade de vida, mostrando a distância entre o salário legalmente estabelecido e o valor realmente necessário para atender às necessidades básicas da população.

