
Tainara Souza Santos em um de seus momentos de alegria antes da tragédia (Foto: Instagram)
A vendedora Tainara Souza Santos, vítima de um atropelamento seguido de arrastamento na Marginal Tietê, em São Paulo, chegou a despertar de um coma profundo nos dias finais de sua internação. Segundo relato de sua mãe, Lúcia Aparecida Souza da Silva, Tainara manteve plena consciência por cerca de dez dias e chegou a perguntar sobre o estado da família antes de falecer por complicações decorrentes dos ferimentos.
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De acordo com Lúcia, a primeira pergunta da filha ao recobrar a consciência foi sobre o bem-estar dos filhos e de sua própria mãe. “Mãe, meus filhos estão bem? A senhora está bem?”, teria questionado Tainara, que logo demonstrou entender a gravidade da situação: “Mãe, eu sei o que aconteceu. Estou sem as minhas pernas, né? Fui arrastada pelo carro.”
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Mesmo diante das cirurgias e das dores intensas, a vítima manifestou força e determinação. “Vou lutar, mãe. Isso vai ser pelos meus filhos e por você”, recordou Lúcia. Tainara deixou dois filhos — um menino de 12 anos e uma menina de 7 — e, durante uma conversa, questionou sobre Douglas Alves da Silva, preso pelo crime. Ao saber da negativa de conhecimento, ela teria respondido: “Espera só eu sair daqui para ver se ele não me conhece”.
Na sequência do atendimento, a vítima passou por múltiplas intervenções cirúrgicas, incluindo a amputação de ambas as pernas e procedimentos para conter infecções e reparos na bacia. Internada em estado gravíssimo no Hospital das Clínicas, Tainara sucumbiu em 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal. O laudo médico apontou septicemia e complicações decorrentes das amputações como as causas do óbito.
Segundo Lúcia, o fato de Tainara ter despertado do coma foi mantido em sigilo para resguardar a privacidade da família durante o tratamento. A mãe só se sentiu pronta para compartilhar a experiência após enfrentar o luto e reviver as lembranças em uma audiência judicial. “Eu me sinto abençoada por ter visto ela acordada e conversando comigo durante dez dias”, afirmou emocionada.
A Justiça de São Paulo determinou que Douglas Alves da Silva será submetido a júri popular pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio contra Lucas Brito Galvão Silva, amigo da vítima. Ele permanece em prisão preventiva. A defesa contesta o enquadramento como feminicídio, alegando desconhecimento prévio, enquanto a investigação da Polícia Civil aponta relação anterior entre os dois e motivação por ciúmes. A data do julgamento ainda não foi definida.

