UE apoiará trégua energética entre Rússia e Ucrânia proposta por Trump

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Donald Trump propõe trégua em ataques a infraestruturas energéticas entre Rússia e Ucrânia (Foto: Instagram)

A União Europeia declarou estar disposta a apoiar a trégua nos ataques a infraestruturas energéticas entre Rússia e Ucrânia, desde que ela seja efetivamente respeitada. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (12) pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, antes de reunião com os ministros das Relações Exteriores do bloco em Luxemburgo. “A UE vai celebrar o cessar-fogo assim que ele for cumprido”, disse Kallas, mas ponderou não ter “certeza de que a Rússia irá respeitá-lo”.

Além do aval à proposta, a UE ampliou as sanções contra Moscou, anunciando novas medidas contra 1.600 indivíduos e entidades ligadas à guerra na Ucrânia. “É a maior ampliação da nossa lista de sanções desde o início do conflito”, ressaltou a diplomata no X, destacando o compromisso europeu de manter uma frente unida.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado a trégua energética no domingo (11), após negociações para importar grandes quantidades de diesel russo aos mercados americano e global. A Ucrânia afirmou estar disposta a corresponder ao cessar-fogo, mas os bombardeios a usinas elétricas e refinarias continuaram. Segundo Kallas, uma trégua limitada às refinarias beneficiaria sobretudo a Rússia, que dispõe de várias instalações.

Para Kaja Kallas, a única forma de encerrar os ataques contra refinarias russas e usinas ucranianas é pressionar Moscou até o fim da guerra. A diplomata pediu aos Estados Unidos que “introduzam as sanções necessárias para realmente pôr fim a este conflito”. Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, avaliou que “a trégua energética não está funcionando” e afirmou não haver “outro caminho que não seja a pressão sobre a Rússia e o apoio à Ucrânia”, ideia também compartilhada pela chefe da diplomacia da Letônia, Baiba Braze.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky advertiu que, se a Rússia não honrar o acordo neste inverno, “responderemos”. Em discurso virtual a um fórum de segurança em Varsóvia, Zelensky afirmou: “Se a Rússia quer que paremos nossos ataques de longo alcance contra suas refinarias, deve cessar bombardeios ao nosso sistema energético e parar de matar nosso povo.”

Do lado francês, o presidente Emmanuel Macron declarou nesta segunda que não se pode “ceder à ameaça russa”. Em visita ao Salão do Automóvel de Paris, Macron disse que não há “razão factual” para alterar a posição europeia, pois “a Rússia continua a bombardear civis e infraestruturas na Ucrânia”. Ele afirmou que buscaria ainda hoje contato com Trump.

Parlamentares americanos de ambos os partidos questionaram a legalidade do acordo de Trump para importar diesel russo, citando lei aprovada em 2022 que proíbe importações de energia do país. Sete senadores, incluindo Jeanne Shaheen e Thom Tillis, afirmaram que a medida contraria essa legislação. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou à Fox News que o governo agirá dentro de “todos os poderes legais disponíveis”.

Apesar do anúncio de cessar-fogo, ataques russos continuam. No domingo, uma usina elétrica em Kiev foi atingida, seguida por ataques na região de Kharkiv. A operadora Ukrenergo relatou grandes cortes de energia na capital e anunciou restrições em várias regiões, enquanto o governador de Kharkiv, Oleg Synegoubov, informou que três pessoas morreram nos ataques.

Por fim, diante da proximidade das eleições legislativas americanas em 3 de novembro, o acordo de Trump é visto como forma de reduzir o preço dos combustíveis nos EUA. No sábado, Trump chegou a sugerir que os ucranianos escolhessem “um novo líder capaz de fechar um acordo de paz” com Moscou, comentário ao qual Zelensky respondeu que cabe à sociedade ucraniana decidir seu futuro.