
Profissional de saúde mede temperatura de soldado em triagem contra o ebola na RDCongo (Foto: Instagram)
O surto de ebola na República Democrática do Congo segue acelerado e já ultrapassa 4 mil casos confirmados, dos quais cerca de 1.850 resultaram em óbito. Especialistas alertam para a possibilidade de mutações no vírus, o que poderia explicar a rapidez na disseminação da doença. Pesquisas iniciais indicam que a circulação silenciosa do agente patogênico pode ter começado meses antes da declaração oficial, em 15 de maio, sugerindo que o número real de infectados seja ainda maior.
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O órgão nacional de saúde pública atualizou os dados informando 4.053 registros de infecção no país da África Central, reforçando a apreensão das autoridades. Dra. Jean Kaseya, diretora-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), afirmou haver indícios de alterações genéticas no vírus. Em coletiva em 6 de agosto, ela anunciou que o Africa CDC e a Organização Mundial da Saúde (OMS), sob coordenação do diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, vão ampliar o sequenciamento genético das amostras para confirmar possíveis mutações e ajustar protocolos de controle.
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Até agora, foram registrados casos em cinco províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uele e Tshopo. Especialistas observam que a maior parte dos óbitos ocorre fora de unidades de saúde, sinalizando a dificuldade de acesso ao tratamento oportuno. Em Bunia, capital de Ituri, a equipe dos Médicos Sem Fronteiras relatou que a maioria dos internados não havia sido identificada previamente como contato de infectados. Atualmente, em média, apenas dez contatos são acompanhados por caso confirmado, longe dos 40 recomendados pelos protocolos internacionais.
O ebola é uma febre hemorrágica viral grave, identificada pela primeira vez em 1976 junto ao rio Ebola, na República Democrática do Congo. A doença apresenta alta taxa de letalidade e seus principais reservatórios naturais são morcegos frugívoros, que podem portar o agente infeccioso sem manifestar sintomas agudos, facilitando sua persistência no ambiente.
A transmissão para humanos ocorre por contato direto com animais silvestres infectados, sobretudo durante a caça, manipulação ou preparo de carne de morcegos e primatas. Nos primeiros dias, os sintomas assemelham-se a outras viroses: febre alta, dores de cabeça, fadiga intensa e mal-estar. Com a evolução, surgem vômitos, diarreia e comprometimento de órgãos, podendo levar a falência hepática e renal, além de hemorragias internas e externas, o que torna o ebola uma das infecções mais perigosas conhecidas.






