Retorno de María Corina sinaliza volta da ordem constitucional, diz especialista

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María Corina Machado voltou à Venezuela após quase um ano fora do país. A chegada foi celebrada por apoiadores em meio às discussões sobre a transição política. (Foto: Instagram)

A líder opositora venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, passou sua primeira noite na Venezuela após retornar ao país no domingo (26). A volta, ocorrida depois de quase um ano de exílio, teve repercussão internacional e foi recebida com entusiasmo por apoiadores. O ex-ministro venezuelano Ricardo Hausmann, professor da Universidade Harvard, comentou a importância política e simbólica do retorno em meio à transição do país.

Em diversos pontos da Venezuela, centenas de pessoas foram às ruas para recepcionar Machado e demonstrar apoio à principal liderança da oposição. Para Hausmann, o significado da chegada vai além da volta da dirigente: representa também o retorno do país a um governo constitucional. Ele leciona na Harvard Kennedy School e é especialista em economia política internacional.

Hausmann afirma que a Constituição determina a convocação de eleições quando não há um presidente eleito, mas que esse processo não ocorreu. Na avaliação do professor, o adiamento foi intencional e correspondeu aos interesses do regime atual, com a aprovação dos Estados Unidos. Ele sustenta ainda que, caso houvesse um governo eleito democraticamente, Machado seria a presidente da Venezuela.

O país atravessa negociações entre representantes do governo interino e setores da oposição, com o objetivo de normalizar as instituições e viabilizar eleições democráticas. O cenário político é bastante diferente daquele de quase um ano atrás, quando Machado deixou o país. Para o professor, sua vitória eleitoral é incontestável e se destaca quando comparada a resultados registrados em outras democracias.

Em 2024, impedida de concorrer à Presidência, Machado apoiou Edmundo González Urrutia, que venceu a eleição. Hausmann diz que há na Venezuela uma maioria esmagadora favorável a uma mudança política, mas que ela não pode se manifestar livremente. Para ele, é essencial permitir que a maioria política venezuelana expresse sua vontade.

Lideranças opositoras comemoraram a volta de Machado. González Urrutia, ex-candidato à Presidência, chamou a data de histórica para os venezuelanos e ressaltou a importância política do retorno. Embora não participe diretamente das negociações, Machado pode alterar a correlação de forças na oposição e aumentar a pressão por uma definição rápida do calendário eleitoral.

Seu partido, o Vente Venezuela (Vem, Venezuela), defendeu publicamente eleições presidenciais em 2027. Nas últimas semanas, outros dirigentes oposicionistas que haviam deixado o país também retornaram, movimento que parte da oposição associa ao novo cenário político aberto pelas negociações. O governo interino liderado por Delcy Rodríguez ainda não se pronunciou oficialmente sobre a chegada de Machado, que ocorre em meio à expectativa sobre o futuro político do país e a próxima etapa da transição.