A americana Danielle Ripley-Burgess, de 42 anos, sobreviveu ao câncer de intestino três vezes após receber o primeiro diagnóstico aos 17 anos. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, ela revelou que os sinais da doença começaram quando tinha apenas 14 anos, mas foram ignorados durante três anos porque acreditava que as manchas de sangue nas fezes eram restos de alimentos que não haviam sido digeridos.
Na época, Danielle sentia vergonha de conversar com os pais sobre o que estava acontecendo e decidiu tentar resolver o problema sozinha. Convencida de que a coloração avermelhada estava relacionada à alimentação, passou semanas evitando qualquer comida vermelha. “Parei de comer qualquer coisa vermelha por várias semanas. Pizza, morangos, picolés, Twizzlers, tudo isso. Pensei que, se não comesse nada vermelho, talvez não visse mais vermelho nas minhas fezes e isso resolveria meus problemas”, contou.
A mudança na alimentação, porém, não teve resultado. As manchas continuaram aparecendo e, com o passar do tempo, se tornaram mais frequentes. Somente aos 17 anos Danielle decidiu contar à mãe sobre o problema. Inicialmente, a família suspeitou que o sangramento pudesse estar relacionado a hemorroidas. “Minhas fezes eram vermelho-escuras e, às vezes, pretas. Eu tinha vergonha e medo. Não queria interromper minha vida agitada no ensino médio. Não queria ser um peso para minha família e não queria falar sobre meu corpo”, relatou.
Em janeiro de 2001, poucas semanas depois de completar 17 anos, Danielle recebeu o diagnóstico de câncer de cólon em estágio 3. Ela precisou passar por quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia para retirar o tumor. Durante o tratamento, também foi submetida a um procedimento para proteger os ovários dos efeitos da radiação, mas acabou perdendo a possibilidade de engravidar naturalmente.
Após concluir o tratamento, a americana entrou em remissão e passou a realizar colonoscopias a cada três anos. Durante algum tempo, conseguiu retomar sua rotina, até que um exame realizado em junho de 2009 identificou um pólipo no intestino.
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A biópsia confirmou que Danielle estava enfrentando o câncer pela segunda vez, agora em estágio 1. Aos 25 anos, ela já estava casada, havia comprado uma casa e planejava adotar uma criança. “Eu achava que o câncer era algo do meu passado e precisei lidar com o fato de que ele faria parte do meu futuro. Fiquei assustada, preocupada e com raiva. Não entendia por que estava enfrentando o câncer novamente”, afirmou.
Diante do novo diagnóstico, os médicos retiraram quase todo o cólon de Danielle, preservando aproximadamente 33 centímetros do órgão. Depois da cirurgia, ela voltou a entrar em remissão, mas precisou intensificar o acompanhamento médico, passando a realizar colonoscopias anualmente.
Em 2023, aos 39 anos, os exames identificaram novos pólipos. Com a suspeita de que a doença estivesse retornando pela terceira vez, Danielle decidiu realizar uma ileostomia permanente, procedimento que permite a eliminação das fezes por uma abertura no abdômen.
Durante a cirurgia, os médicos também retiraram a parte restante do cólon. A análise do tecido confirmou um novo câncer em estágio 1, restrito à região removida.
Além de enfrentar a doença em três momentos diferentes, Danielle descobriu que possuía uma condição genética que aumentava suas chances de desenvolver determinados tipos de câncer. Após o segundo diagnóstico, exames identificaram a síndrome de Lynch, uma alteração associada a falhas nos mecanismos de reparação do DNA.
A condição pode elevar o risco de tumores no intestino, no útero, nos ovários e em outros órgãos. Segundo Danielle, ela foi a primeira pessoa da família a receber esse diagnóstico. “Sou a primeira e a única a carregar o gene da síndrome de Lynch, que tende a ser hereditária”, disse.
Por causa do risco aumentado de desenvolver outros tumores, a americana também optou por uma histerectomia, cirurgia para retirada do útero.
Atualmente, Danielle é mãe de dois filhos adotivos e trabalha como escritora, palestrante e consultora de comunicação. Ela também destacou o apoio do marido, Michael, com quem está casada há 20 anos. Os dois já namoravam quando ela recebeu o primeiro diagnóstico. “Meus pais e padrastos também têm sido uma rede de apoio incrível, ajudando de todas as maneiras possíveis. Tenho um grupo próximo de amigos, alguns que conheço desde o ensino médio e outros que encontrei ao longo do caminho, que oraram por mim, enviaram refeições, cuidaram das crianças, participaram de caminhadas contra o câncer e muito mais”, contou.
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Ao compartilhar sua experiência, Danielle deixou uma recomendação para outras pessoas que enfrentam problemas de saúde. “Eu aconselharia as pessoas a se abrirem e permitirem que outras pessoas se aproximem. Não enfrentem situações difíceis sozinhas”, declarou.
O relato da americana chama atenção para os sintomas do câncer colorretal, que também pode atingir pessoas jovens. Segundo os dados apresentados pelo Daily Mail, a incidência da doença entre adultos com menos de 50 anos aumentou, em média, 2,9% ao ano nos Estados Unidos entre 2013 e 2022.
Entre os sinais que precisam de investigação médica estão a presença de sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dores abdominais, perda de peso sem explicação e cansaço frequente. Esses sintomas podem ter diferentes causas e não significam necessariamente a presença de câncer, mas devem ser avaliados por um profissional de saúde.












