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Mulher processa sistema de saúde após 11 anos de quimioterapia por diagnóstico errado de câncer (Foto: Reprodução/The Sun) -
Becky Jones, de 34 anos, entrou com uma ação contra o sistema de saúde britânico após passar 11 anos em tratamento para um glioblastoma que, segundo avaliações posteriores, ela não tinha. (Foto: Reprodução/The Sun) -
O diagnóstico recebido aos 21 anos levou Becky a passar por quimioterapia e radioterapia durante anos, além de afetar sua vida profissional e familiar. (Foto: Reprodução/The Sun) -
Segundo Becky, ela chegou a realizar 156 ciclos de quimioterapia, que provocaram sintomas como náuseas, cansaço, depressão, ansiedade e dores de estômago. (Foto: Reprodução/The Sun) -
Após interromper a quimioterapia em março de 2024, Becky passou a questionar o diagnóstico depois de anos de exames de ressonância sem alterações relacionadas ao suposto tumor. (Foto: Reprodução/The Sun) -
Revisões feitas por especialistas apontaram que os resultados da biópsia eram compatíveis com desmielinização tumefativa, uma inflamação cerebral que poderia ter sido tratada com esteroides. (Foto: Reprodução/The Sun) -
O University Hospitals Coventry and Warwickshire NHS Trust afirmou que todos os pacientes são valiados por médicos seniores e recebem planos de cuidados adequados. (Foto: Reprodução/The Sun)
Becky Jones, de 34 anos, entrou com uma ação contra o sistema de saúde britânico após passar 11 anos em tratamento para um glioblastoma de grau 4 que, segundo avaliações posteriores de especialistas, ela não tinha. O diagnóstico recebido aos 21 anos levou a mulher a enfrentar quimioterapia e radioterapia durante anos, além de mudanças na rotina e impactos na vida profissional e familiar.
Tudo começou em dezembro de 2012, quando Becky procurou atendimento por causa de fortes enxaquecas e realizou um exame que identificou uma massa no cérebro. A equipe médica decidiu pela realização de uma biópsia, mas ela afirma que os resultados foram perdidos. Depois, foi transferida para o University Hospitals Coventry and Warwickshire (UHCW), onde, segundo seu relato, os médicos definiram o diagnóstico de glioblastoma grau 4 antes de terem acesso aos resultados.
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Quando os resultados finalmente apareceram, havia outras possibilidades para a alteração cerebral. “Os exames apontaram para uma lesão, uma infecção ou uma desmielinização tumefativa. Mas, em vez de prosseguir com o trabalho investigativo, eles foram direto para a quimioterapia”, contou ao The Sun.
Na época, Becky recebeu a informação de que teria entre seis e 12 meses de vida. Ela também foi informada de que não poderia ter filhos e que precisaria continuar tomando temozolomida (TMZ), medicamento utilizado no tratamento de determinados tumores cerebrais. Após uma semana de quimioterapia, ela passou por seis semanas de radioterapia e depois voltou ao medicamento. “Disseram que, se eu não continuasse tomando a quimioterapia, morreria”, relatou.
Segundo Becky, o tratamento continuou durante 11 anos, período em que estima ter passado por 156 ciclos de quimioterapia, que causaram diversos sintomas. “Eu tinha náuseas, cansaço, depressão e estava ansiosa o tempo todo e tinha úlceras. Eu tinha dores de estômago e constipação, e existe a possibilidade de ter entrado precocemente na menopausa”, disse.
As consequências também alcançaram os planos profissionais. A carteira de motorista de Becky foi revogada durante dois anos, e ela afirma que não conseguiu seguir o objetivo de ingressar na polícia. “Eu queria ser policial, mas não consegui. Eu queria trabalhar na linha de frente, mas, por causa da minha biópsia, disseram que eu não poderia entrar”, revelou.
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Apesar de ter sido informada de que não poderia ter filhos, Becky interrompeu a quimioterapia e posteriormente deu à luz duas crianças de forma natural.
O tratamento com temozolomida foi interrompido em março de 2024, depois que ela recebeu uma ligação informando que a medicação seria suspensa após a aposentadoria do professor Ian Brown, oncologista que supervisionava os pacientes. Depois de anos com exames de ressonância sem alterações relacionadas ao diagnóstico, Becky começou a questionar o que havia acontecido.
“Eu já havia perguntado antes se tinha um tumor cerebral, mas acreditava em tudo o que eles me diziam. Eles disseram que a quimioterapia estava me mantendo viva, e eu acreditei. Por que não acreditaria?”, declarou.
Revisões realizadas por especialistas contratados pelo escritório de advocacia Brabners apontaram que os resultados da biópsia eram compatíveis com desmielinização tumefativa. Trata-se de uma inflamação no cérebro que, segundo as informações do caso, poderia ter sido tratada com esteroides.
A confirmação chegou para Becky durante uma videoconferência com seus especialistas. “Descobri, durante uma chamada pelo Teams com meus especialistas clínicos, há duas semanas, que eu não tinha um tumor. Era algo esperado, mas, até alguém dizer que você nunca teve câncer, é quando isso realmente cai a ficha”, relatou.
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Hoje, Becky busca respostas sobre como o tratamento pôde continuar por tanto tempo. “Eu só quero respostas do Trust [Hospital em que realizou o tratamento] sobre por que eles conduziram tudo por tanto tempo sem que ninguém verificasse. Havia tantas pessoas envolvidas. Quero que sejam responsabilizados pelo que fizeram e quero que os responsaveis sejam presos”, disse.
O University Hospitals Coventry and Warwickshire NHS Trust afirmou que todos os pacientes são valiados por médicos seniores e recebem planos de cuidados adequados. “Queremos tranquilizar nossa comunidade de que a segurança, a experiência e o bem-estar dos pacientes continuam sendo nossas principais prioridades”, afirmou um porta-voz do serviço de saúde.






