Lucy Humphrey, de 44 anos, conseguiu um transplante de rim após conhecer uma mulher durante um passeio à praia, no País de Gales, em junho de 2021. Diagnosticada com lúpus havia mais de 15 anos, ela enfrentava insuficiência renal e havia sido informada de que poderia viver apenas mais cinco anos sem receber um novo órgão. O encontro aconteceu depois que sua cadela, Indie, começou a se aproximar repetidamente de Katie James, de 40 anos, que posteriormente descobriu ser compatível para a doação.
A cirurgia foi realizada em 3 de outubro de 2022, no Hospital Universitário de Gales, em Cardiff. Katie doou um dos rins para Lucy, que enfrentou complicações nas primeiras semanas após o procedimento, mas conseguiu dar continuidade à recuperação. O transplante permitiu que ela deixasse parte das restrições alimentares e de líquidos que faziam parte de sua rotina durante o tratamento.
A possibilidade de receber um órgão havia se tornado uma preocupação para Lucy desde 2019, quando os médicos explicaram que a diálise não seria suficiente por tempo indeterminado. Moradora de Caerphilly, ela estava na lista de espera por um transplante havia anos e precisou adiar planos de viagem com o companheiro, Cenydd Owen, por causa das condições de saúde.
O encontro com Katie aconteceu justamente após uma mudança de planos. Em junho de 2021, Lucy e Cenydd pretendiam passar dois dias em Aberystwyth, acompanhados dos dobermans Jake e Indie. Como ela não estava bem o suficiente para viajar, decidiram visitar a praia de Cold Knap, em Barry, mais próxima de onde moravam.
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Enquanto o casal preparava um churrasco perto do trailer, Indie começou a caminhar em direção a uma mulher que fazia crochê a aproximadamente 100 metros de distância. Mesmo depois de ser chamada de volta, a cadela continuava procurando a desconhecida. “Mas Indie sempre ia até uma mulher, que estava a cerca de 100 metros de distância. Ela continuou indo e voltando até a mulher. E nós sempre a chamávamos de volta, porque obviamente um grande doberman pode ser intimidador”, contou Lucy.
Preocupados com a possibilidade de a presença do animal estar incomodando a mulher, Lucy e Cenydd decidiram se aproximar. Foi quando conheceram Katie, que acabou sendo convidada para participar do churrasco. “Na verdade, ela estava passando por um momento muito ruim, então eu a convidei para o nosso churrasco. Ela veio, trouxe bebida e me ofereceu um pouco”, relatou Lucy.
Durante a conversa, Katie ofereceu uma bebida à nova conhecida, mas Cenydd explicou que a companheira fazia diálise e não podia beber. Ele também contou que Lucy precisava de um transplante de rim. Ao ouvir a história, Katie revelou que havia se cadastrado recentemente como doadora.
Quando Cenydd perguntou a quem ela pretendia doar o órgão, Katie respondeu: “Para quem quiser”.
A conversa levou os três a trocarem contatos. No dia seguinte, eles procuraram um coordenador de doações para dar início à avaliação de compatibilidade. Após realizar os exames, Katie descobriu que poderia doar um rim para Lucy. Segundo a paciente, um cirurgião informou que a probabilidade de encontrar uma combinação perfeita era de uma em 22 milhões.
Apesar da compatibilidade, a cirurgia precisou ser adiada durante a pandemia de covid-19. Nesse período, Katie continuou mantendo contato com o casal e compartilhando informações sobre o andamento do processo. Ela também criou um grupo no WhatsApp chamado The Kidney Gang, traduzido como “A Turma do Rim”. “Em todas as visitas ao hospital, ela nos atualizava e enviava mensagens gravadas ou fotos. Ainda tenho todas as gravações de como ela estava animada por fazer algo bom”, lembrou Cenydd.
O transplante finalmente aconteceu em outubro de 2022. “Fomos juntos no domingo e, na segunda-feira de manhã, eles tiraram um de meus rins e o colocaram em Lucy”, contou Katie.
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Após a cirurgia, Lucy passou a ter uma rotina diferente daquela que mantinha durante os anos de insuficiência renal. “Nos últimos cinco anos, Lucy não podia beber nada e tinha restrições alimentares. Agora, ela está livre para comer e beber o que quiser e temos nossa vida de volta ao normal”, afirmou Cenydd.
Lucy também falou sobre a importância do procedimento depois de anos aguardando por um doador. “Há um tempo, eles me disseram que eu só tinha cerca de cinco anos, a diálise não funcionaria para sempre. Eu precisava muito desse transplante, estava na lista de espera há vários anos. Isso mudou completamente a minha vida”, disse.
O contato entre as famílias continuou após a cirurgia. Cenydd descreveu Katie como uma “pessoa maravilhosa e altruísta” e contou que os dois passaram a brincar sobre a doação. “Mas ela não gosta das minhas piadas e diz que, se eu não parar de contá-las, vai pedir o rim de volta”, comentou.
Ao relembrarem o encontro na praia, Lucy e Cenydd destacaram a sequência de acontecimentos que levou à descoberta da doadora. “Fomos para Barry por acaso, conhecemos Katie por acaso, e Lucy acabou ganhando um rim. Queremos mostrar com isso que sempre há esperança para as pessoas. Nunca desista, porque nunca se sabe… Nós nem iríamos à praia naquele dia. E tem muita gente boa por aí”.








