Mulher enfrentava tratamento de 10 anos contra câncer de mama até descobrir um exame que mudou tudo

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Virginia Carnesale, de 51 anos, conseguiu interromper um tratamento hormonal contra o câncer de mama cinco anos antes do previsto após realizar um exame que avalia o risco de recorrência da doença e o possível benefício de prolongar a medicação. Diagnosticada em 2018, aos 43 anos, a americana havia passado por uma mastectomia bilateral, quimioterapia e radioterapia. Atualmente, está há sete anos em remissão e há aproximadamente dois anos sem a terapia hormonal.

O exame responsável por orientar a decisão foi o Breast Cancer Index (BCI), que analisa a atividade de determinados genes no tumor para ajudar os médicos a identificar quais pacientes podem se beneficiar de um período mais longo de tratamento endócrino. Virginia descobriu a existência do teste durante suas próprias pesquisas, depois de enfrentar efeitos colaterais da medicação.

A doença foi identificada após sua primeira mamografia, realizada quando ela ainda não apresentava sintomas ou alterações perceptíveis nas mamas. Em entrevista à revista People, Virginia contou que recebeu o resultado da biópsia em uma sexta-feira, quando estava fora da cidade para participar de um reencontro de colegas da pós-graduação. “Quando recebi a ligação da minha ginecologista com os resultados da biópsia, era o fim da tarde de uma sexta-feira, e eu estava fora da cidade, prestes a entrar no reencontro de 15 anos da minha turma da pós-graduação”, recordou.

Exames posteriores mostraram que o câncer era mais avançado do que os médicos haviam identificado inicialmente. Uma segunda biópsia revelou carcinoma ductal invasivo e comprometimento dos linfonodos, levando Virginia a optar pela retirada das duas mamas.

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Após a cirurgia, o câncer foi classificado como estágio 2B. Ela precisou passar por quimioterapia e radioterapia e recebeu a recomendação de seguir com a terapia endócrina durante dez anos, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.

O tratamento, no entanto, trouxe dificuldades para sua rotina. Durante a quimioterapia, Virginia perdeu aproximadamente 90% dos cabelos. Posteriormente, os medicamentos utilizados para suprimir a função dos ovários provocaram sintomas semelhantes aos da menopausa, incluindo ondas de calor, insônia e dores nas articulações.

Ela também relatou fadiga intensa, ganho de peso, câimbras musculares, perda de massa óssea, ansiedade e alterações na pele, além de dificuldades relacionadas à intimidade. “Eu sentia como se estivesse envelhecendo dez anos antes do tempo, e isso me causava uma fadiga horrível”, contou.

Com o passar dos anos, Virginia começou a questionar se seria necessário permanecer em tratamento por uma década. Foi nesse período que conheceu o Breast Cancer Index, exame utilizado para auxiliar na decisão sobre a continuidade da terapia endócrina após os primeiros cinco anos.

Como o oncologista ainda não havia mencionado essa possibilidade, ela decidiu perguntar sobre o teste durante as consultas. Na época, foi orientada a aguardar até completar cinco anos de tratamento para realizar a análise. “Depois de tudo pelo que passei, eu queria ter certeza de que mais cinco anos de tratamento realmente me beneficiariam”, explicou.

Quando finalmente realizou o exame, o resultado indicou que ela provavelmente não teria benefício adicional com a manutenção da terapia endócrina por outros cinco anos. Com base nessa informação, a equipe médica autorizou a interrupção da medicação.

Virginia contou que se emocionou ao receber a notícia de uma enfermeira. “Perguntei se podia abraçá-la — ela, é claro, disse que sim — e foi um momento feliz para nós duas”, relembrou.

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A experiência também influenciou seu trabalho. Alguns anos depois do diagnóstico, Virginia criou a Stage, uma plataforma de compras e apoio voltada a pessoas que enfrentam o câncer de mama. A iniciativa reúne orientações práticas e produtos relacionados às necessidades que ela própria encontrou durante o tratamento.

Atualmente, Virginia afirma que recuperou a disposição e percebe melhorias na qualidade de vida desde que deixou de utilizar os medicamentos. Ela espera que sua história incentive outras pacientes a conversar com seus médicos sobre as alternativas disponíveis. “Minha saúde está ótima, e minha energia e vitalidade voltaram de uma maneira que eu não tinha certeza de que voltariam”, afirmou.

Ao compartilhar sua experiência, Virginia também reforçou a importância de buscar informações e participar das decisões médicas. “Você está no comando da sua própria saúde. Se algo parecer errado, tome uma atitude — não adie”, declarou.