Kara Miller, de 41 anos, de Londres, na Inglaterra, recebeu o diagnóstico de câncer de cólon em estágio 3 depois de passar por consultas médicas em que seus sintomas foram inicialmente associados a hemorroidas e, posteriormente, a uma possível intoxicação alimentar. Hoje em remissão, ela compartilha a experiência para incentivar outras pessoas a buscarem investigação quando algo não estiver bem.
Em setembro de 2021, Miller assistia a um programa de notícias pela manhã quando viu uma reportagem sobre saúde que orientava as pessoas a procurarem atendimento médico diante de sangramento retal. Ao pensar que poderia ter apresentado o sintoma, ela entrou em contato com o clínico geral. “Falei ao telefone com alguém da clínica do meu médico e me disseram que eram hemorroidas e que estava tudo bem”, contou ao Southwest News Service. Segundo ela, disseram que o problema iria desaparecer.
Meses depois, em fevereiro de 2022, Miller começou a apresentar problemas gastrointestinais, incluindo inchaço e diarreia. Ela também não conseguia comer e voltou ao médico. “Disseram que provavelmente era intoxicação alimentar”, relatou.
Como os sintomas continuaram, Miller insistiu em uma nova investigação: “Foi somente depois que eu disse: ‘Não, ainda estou doente, isso não é intoxicação alimentar’, que disseram: ‘Vamos fazer um teste FIT’.”
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O exame FIT é feito em casa a partir de uma amostra de fezes e verifica a presença de sangue oculto. Depois que o resultado de Miller deu positivo, ela procurou um gastroenterologista particular. Apesar da quantidade de sangue identificada, o médico considerou que sua idade tornava o câncer uma possibilidade menos provável. “Ele me disse: ‘Na verdade, consigo ver o teste FIT e há uma quantidade significativa de sangue nas suas fezes, mas ainda pode ser outra coisa, você é tão jovem’”, contou.
Segundo Miller, a questão da idade foi mencionada repetidamente durante o período de investigação: “Um dos comentários mais marcantes durante aquele período foi que eu era muito jovem. Eu sabia que poderia ser câncer, mas isso parecia tão improvável para mim”.
Por precaução, ela realizou uma colonoscopia em março de 2022. Durante o procedimento, os médicos encontraram um tumor de seis centímetros. “O médico disse: ‘Vou fazer uma biópsia disso’. Eu perguntei: ‘É câncer?’ Lembro que ele segurou minha mão e fez um leve aceno com a cabeça. Naquele momento, entrei em choque total. Não conseguia acreditar. Foi uma experiência fora do corpo”, recordou.
Após a biópsia e outros exames, os médicos confirmaram, em abril daquele ano, que Miller tinha câncer de cólon em estágio 3, já com disseminação para os gânglios linfáticos. Ao receber a confirmação, ela também relembrou o período anterior ao diagnóstico. “Eu sempre volto àquele momento e foram apenas alguns meses antes de eu ser diagnosticada, mas para algumas pessoas leva anos até que acreditem nelas”, afirmou.
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O tratamento começou com cinco semanas de quimioterapia combinada com radioterapia para reduzir o tumor. Depois, Miller passou por uma cirurgia de seis horas para removê-lo. Durante o procedimento, recebeu uma ileostomia temporária, que permite a saída dos resíduos digestivos pelo intestino delgado por meio de um estoma no abdômen.
Ela passou o Natal no hospital e, posteriormente, realizou mais 12 semanas de quimioterapia. Nove meses depois, em agosto de 2023, passou por uma cirurgia para reverter a ileostomia e começou a se adaptar ao que chamou de seu “novo normal”. “Embora eu estivesse fisicamente em forma, jogava netball internacionalmente e era bastante forte. Eu diria que o aspecto mental depois que o tratamento e tudo terminou foi muito mais difícil para mim do que o tratamento físico”, disse.
Três anos após entrar em remissão, Miller trabalha atualmente como especialista em reabilitação de pacientes com câncer. Ao compartilhar sua trajetória, ela afirma que passou a considerar a defesa dos próprios cuidados de saúde uma parte importante da experiência. “Uma coisa que percebi e entendi é que você precisa defender a si mesma. Estar ciente dos sintomas do câncer e de como eles se manifestam é realmente importante, porque isso pode efetivamente salvar sua vida. Sinto uma grande responsabilidade. Sempre tenho cuidado ao dar conselhos médicos, pois não sou profissional da área, mas sempre quero transmitir minha perspectiva para ajudar de alguma forma”, declarou.













