
Prédio da Micron Technology em Boise (Idaho), futuro campus dos Laboratórios de Pesquisa Micron. (Foto: Instagram)
A Micron Technology anunciou que vai investir US$ 10 bilhões ao longo da próxima década na criação dos Laboratórios de Pesquisa Micron, uma nova instituição dedicada a acelerar inovações em arquitetura e processos de fabricação de semicondutores. A empresa pretende envolver universidades, agências governamentais, fabricantes de chips e seus principais clientes para destravar gargalos na cadeia de suprimentos de memória.
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O campus principal do programa deverá ser erguido em Boise, no estado de Idaho, com previsão de início das obras já no próximo ano. A iniciativa recebeu apoio público significativo da administração Trump e da Apple, cliente estratégico que vem sendo aconselhado pelo governo americano a evitar hardware importado da China.
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Na última quinta-feira (20), as ações da Micron registraram alta de 3,97%, refletindo confiança dos investidores diante do anúncio. Nos últimos doze meses, os papéis da empresa saltaram mais de 700%, impulsionando sua capitalização de mercado para patamares superiores a US$ 1 trilhão.
A demanda global por chips de memória atualmente supera em larga escala a oferta disponível, elevando preços e margens de lucro a níveis inéditos. Além da Micron, concorrentes como SK Hynix, Samsung Electronics e Sandisk também lucram com essa alta constante no consumo de DRAM e NAND.
Por se tratar de um setor historicamente cíclico, fabricantes precisam ampliar sua capacidade de produção para preservar participação de mercado e atender à expansão de demanda de longo prazo. A Micron já anunciou planos de injetar US$ 250 bilhões em sua cadeia de suprimentos nos EUA até 2035 e iniciou, no início deste ano, a construção de uma instalação estimada em US$ 100 bilhões no estado de Nova York.
Embora a ampliação da oferta de memória deva moderar a alta acelerada dos preços, investimentos em pesquisa fundamentam-se na hipótese de reduzir custos de produção e permitir o lançamento de produtos de maior valor agregado. Ainda assim, US$ 10 bilhões representam um aporte significativo: de acordo com a FactSet, as despesas de capital da Micron devem atingir cerca de US$ 28 bilhões no ano fiscal de 2026 e US$ 47 bilhões no ano seguinte, o que impacta diretamente o fluxo de caixa livre de curto prazo.






