
Aloizio Mercadante durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, em São Paulo. (Foto: Instagram)
Durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, realizada em São Paulo, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, levantou críticas contundentes à proposta do deputado Flávio Bolsonaro (PL) de incluir os Estados Unidos no processo de transição de governo do Brasil. Em sua fala, Mercadante reforçou que a ideia representaria um risco real à soberania nacional e destacou a inviabilidade de entregar dados estratégicos a outra nação sem expor o país a influências externas.
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O economista apontou que a iniciativa exigiria a divulgação de informações sensíveis, como dados de defesa, reservas de minerais críticos, negociações diplomáticas, movimentações financeiras, segredos do Banco Central e detalhes operacionais do sistema PIX. Mercadante questionou: “Como é que você vai abrir essas informações para outro país?” e alertou sobre a possibilidade de retaliações, citando a imposição de tarifas de 50% e manifestações públicas com símbolos do movimento MAGA.
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Para Mercadante, conceder esse nível de acesso extrapolaria acordos bilaterais tradicionais e significaria uma interferência direta nos rumos das políticas nacionais. Ele enfatizou que o Brasil, que viveu 400 anos sob domínio colonial, correria o risco de enfrentar um novo formato de subordinação, seja por meio de um neocolonialismo digital ou de práticas neocoloniais em nossa região, comprometendo a capacidade de conduzir seus próprios interesses em áreas como energia, infraestrutura e tecnologia.
O presidente do BNDES também destacou que o país não pode negociar a venda de empresas de capital estratégico nem decidir previamente quais minerais explorar sem consultar o suposto parceiro americano. Segundo Mercadante, essa dependência limitaria a formulação de políticas públicas autônomas e colocaria setores cruciais sob a influência de decisões externas, tolhendo a liberdade de investimento e planejamento de longo prazo.
Por fim, Aloizio Mercadante afirmou que o tamanho econômico e político do Brasil o torna incapaz de aceitar imposições de outras nações e que é fundamental defender os interesses nacionais em pé de igualdade. Para isso, defendeu que o país deve se posicionar no cenário internacional com “altivez, autonomia e interdependência”, promovendo suas causas com firmeza e evitando ceder pontos essenciais de sua política externa e de segurança.






