Menino come paredes, areia e terra por causa de condição rara e preocupa família

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Um menino de 6 anos, identificado como Steven, passou a exigir cuidados constantes dos pais após ser diagnosticado com pica, também chamada de alotriofagia, um transtorno alimentar caracterizado pela ingestão persistente de substâncias que não são consideradas alimentos. A criança, que também tem autismo com necessidades intensas de apoio, vive em North Lanarkshire, na Escócia, e apresenta comportamentos que incluem arrancar partes das paredes, morder fios elétricos e ingerir terra e areia. Diante dos riscos, a família pediu ajuda às autoridades para conseguir uma moradia mais segura.

A situação levou a mãe, Leigh, de 29 anos, a apelidar o filho de “Detona Ralph”, em referência ao personagem de animação. Segundo ela, os ambientes da residência precisaram ser adaptados para reduzir o acesso da criança a objetos que poderiam representar perigo. “Nós o apelidamos de Detona Ralph. Na sala de estar, temos apenas dois sofás e uma televisão. Só isso. Na cozinha, tudo fica trancado”, contou Leigh ao jornal escocês Daily Record.

O menino recebeu o diagnóstico de pica quatro meses antes da divulgação do caso. O transtorno pode levar à ingestão de materiais como papel, terra, tinta e outros objetos não comestíveis. Dependendo do que é consumido, existe o risco de intoxicação, obstruções no sistema digestivo e outros problemas de saúde.

Os pais, Leigh e Steven Murphy, de 28 anos, afirmam que precisam manter o filho sob supervisão constante. Além da preocupação com os materiais que ele pode ingerir, a família teme que Steven se machuque ao danificar estruturas da residência, especialmente janelas e outras áreas que possam oferecer risco de queda.

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A avó da criança, Lesley McCrann, de 48 anos, relatou que as condições da casa também passaram a afetar a rotina dos demais familiares, incluindo Isla-Mae, irmã de Steven, de 9 anos. Segundo ela, Leigh e os filhos chegaram a deixar temporariamente o imóvel devido à situação. “É realmente horrível a maneira como eles estão vivendo. Temos medo de que uma janela seja quebrada e ele acabe saindo por ela”, afirmou Lesley ao jornal Metro.

A necessidade de acompanhamento permanente também teve consequências para a vida profissional da mãe. Leigh deixou o emprego há quatro anos para cuidar integralmente do filho, já que, segundo a família, ele não pode permanecer sozinho nem por períodos curtos. “Ela precisou deixar o trabalho há quatro anos porque é um caso muito extremo. A mãe dele está enfrentando muitas dificuldades porque você não pode tirar os olhos dele nem por um minuto, pois ele está fazendo alguma coisa a cada momento do dia”, explicou a avó.

Diante das dificuldades, os familiares solicitaram ao Conselho de North Lanarkshire a transferência para uma habitação pública adaptada. A principal necessidade é encontrar uma casa térrea, sem escadas, que permita reduzir os riscos de acidentes e oferecer condições mais adequadas para os cuidados com Steven.

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Procurado pela imprensa britânica, o Conselho de North Lanarkshire informou que acompanha a situação em conjunto com profissionais da assistência social. O órgão reconheceu a necessidade de encontrar uma residência adaptável na região de Cumbernauld, mas explicou que há poucas propriedades com essas características disponíveis. “Entendemos a situação da família e estamos trabalhando em estreita colaboração com colegas da assistência social para atender às suas necessidades”, informou um porta-voz.

O órgão acrescentou que o caso estava sendo tratado como prioridade, embora a identificação de uma propriedade apropriada pudesse levar tempo.