A francesa Tippi Degré passou os primeiros dez anos de vida na Namíbia, na África, convivendo com animais selvagens, entre eles elefantes, leopardos, leões e girafas. Filha dos fotógrafos de natureza Sylvie Robert e Alain Degré, ela nasceu no país africano, onde os pais trabalhavam, e desenvolveu uma relação próxima com diferentes espécies. A infância cercada por animais fez com que ficasse conhecida como “Mogli da vida real”.
Entre os animais com os quais convivia estava Abu, um elefante de cinco toneladas que permitia que a menina andasse em suas costas. Tippi também mantinha contato com um leopardo chamado J&B, além de avestruzes, crocodilos, zebras, lêmures e macacos. Alguns desses animais, segundo relatos sobre sua infância, chegavam a tentar pegar sua mamadeira.
A convivência com outras crianças era pouco frequente, e Tippi passou a considerar os animais seus principais companheiros. Em um dos relatos sobre a infância, explicou como era sua rotina naquele ambiente. n“Eu não tenho amigos aqui… porque nunca vejo crianças. Então os animais são meus amigos”, afirmou.
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A menina também acreditava ter uma maneira própria de se comunicar com os animais, utilizando gestos e expressões para estabelecer contato com eles. “Eu converso com eles com a minha mente, com meus olhos, meu coração e minha alma e sei que eles me compreendem”, declarou.
A relação de Tippi com a natureza começou por causa do trabalho dos pais, que haviam se mudado para a Namíbia antes de seu nascimento. Durante os anos em que viveu no país, ela acompanhou a rotina da família e teve contato com diferentes espécies de animais.
Além dessa convivência, a francesa conheceu comunidades indígenas da região, incluindo os bosquímanos e os Himba. Durante esses encontros, aprendeu costumes e técnicas de sobrevivência utilizados no ambiente africano.
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As experiências vividas por Tippi foram reunidas no livro Tippi: My Book of Africa, publicado em 1996, com fotografias e histórias de sua infância. Sua trajetória também foi retratada em documentários exibidos pelo Discovery Channel.
Aos 13 anos, Tippi deixou a África e se mudou com a família para Madagascar. Posteriormente, passou a viver na França, onde enfrentou dificuldades para se adaptar ao ensino escolar tradicional e acabou estudando em casa.
Mesmo depois de deixar o continente africano, ela continuou recordando a relação que desenvolveu com os animais durante a infância. “Não havia animais bonitos ou feios. Todos eram meus amigos. Não existiam diferenças”, afirmou.
Atualmente, Tippi vive na França e estudou Cinema na Universidade Sorbonne, em Paris. Sua infância na Namíbia permanece associada às fotografias e aos relatos que registraram a convivência com animais selvagens durante os primeiros anos de sua vida.














