
Cédulas de R$100 refletem alta nos juros futuros (Foto: Instagram)
O mercado de juros futuros brasileiro encerrou a sessão em alta, impulsionado pela forte elevação dos rendimentos dos Treasuries, pela valorização do petróleo e pelas recentes notícias sobre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro. Encerrados os negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,541% na última quarta-feira para 13,565% nesta quinta-feira.
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O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,787% para 13,88%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 saltou de 13,965% para 14,045%. Às vésperas de um primeiro turno muito disputado, qualquer evento negativo envolvendo a oposição tende a repercutir nos ativos domésticos, uma vez que pode ser visto pelo mercado como um revés para chances de alternância do poder em 2027 e para a consolidação fiscal.
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As taxas futuras, porém, perderam parte do ímpeto na reta final do pregão, em linha com a acomodação dos preços do petróleo, que se distanciaram das máximas intradiárias. Ainda assim, as incertezas em torno das conversas entre Estados Unidos e Irã à margem da Assembleia-Geral da ONU mantiveram o barril do Brent próximo de US$ 107, cenário que, somado à perspectiva de aperto monetário adicional nos EUA, pressionou ainda mais os rendimentos dos títulos norte-americanos e refletiu no mercado local de renda fixa.
Por volta das 17h30, o juro da T-Note de dois anos marcava alta de 4,895% para 4,940%. O retorno da T-Note de dez anos subiu de 5,116% para 5,22% e o do T-Bond de 30 anos saltou de 5,402% para 5,497%, alcançando máxima do dia. “Acho difícil vermos uma melhora muito forte nos DIs sem uma notícia favorável da política no Brasil ou uma melhora externa das curvas de juros”, observa o sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal.
Na avaliação de Leal, o comportamento mais benigno dos DIs nas últimas semanas ocorreu na esteira do avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, de modo que os desdobramentos políticos apenas deram um susto momentâneo. “O movimento desta alta foi essencialmente global, tendo como pano de fundo a pressão da renda fixa internacional”, acrescenta ele. Os rendimentos dos Treasuries hoje se aproximam de níveis não vistos desde o início dos anos 2000, tanto nas pontas longas, em razão de temores sobre o aumento da dívida pública americana, quanto nos prazos mais curtos, por dados de resiliência econômica e pelo tom mais duro do Fed.
Nesta quinta-feira, três dirigentes do Federal Reserve reforçaram o viés de aperto monetário: Anna Paulson, do Fed da Filadélfia, afirmou que o banco central pode ter de elevar novamente os juros para conter a inflação persistentemente alta; Beth Hammack, do Fed de Cleveland, ressaltou que os riscos inflacionários seguem elevados; e Tom Barkin, do Fed de Richmond, alertou que alguns vetores de pressão sobre os preços podem persistir por mais tempo do que se antecipava.
No Brasil, a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) reforçou a mensagem de que ainda há espaço para cortes na Selic, mas destacou que a trajetória de juros dependerá da evolução dos indicadores. As falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor Paulo Picchetti, ao comentarem o documento, não provocaram impacto relevante na curva de juros. Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o relatório foi “um pouco decepcionante” em termos de previsão de cenários, mas confirma o caráter data-dependent do BC e mantém aberta a possibilidade de novas reduções do juro básico.






