Ibovespa faz ajuste após rali e ‘trade’ eleitoral continua no radar

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Ibovespa recua 0,52% após rali eleitoral, mas segue acima de 205 mil pontos (Foto: Instagram)

Após o forte rali dos ativos no pós-primeiro turno das eleições, o Ibovespa registrou uma correção de 0,52% na terça-feira. Apesar disso, o indicador encerrou o dia ainda acima dos 205 mil pontos (205.835,29), com o giro financeiro superando a média diária, em torno de R$ 43 bilhões. Em apenas quatro pregões de outubro, o índice acumula alta de 10,46%, enquanto no ano sobe 27,75%.

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Embora tenha havido acomodação no pregão, os movimentos ficaram aquém do desempenho observado na segunda-feira. O setor financeiro (IFNC) recuou 0,58%, pressionado pela queda de mais de 6% do Banco do Brasil, ao passo que Itaú, Bradesco e Itaúsa seguiram em alta. Por outro lado, utilities (UTIL: +0,16%), elétrico (IEEX: +0,04%), varejo e consumo (ICON: +0,81%), imobiliário (IMOB: +2,53%) e small caps (SMLL: +1,83%) apresentaram ganhos modestos.

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Esses sinais reforçam a percepção de que o mercado continua de olho no ‘trade’ eleitoral, apostando em nova valorização caso o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ganhe força até o segundo turno. Na avaliação de Pedro Galdi, analista da AGF, o desempenho do senador ficou acima do esperado pelas pesquisas, e os investidores seguem monitorando esse movimento.

Entre os motivos do otimismo, está a expectativa de que uma alternância de poder seja acompanhada de maior austeridade fiscal, abrindo espaço para cortes na taxa de juros. Esse cenário é especialmente favorável às companhias cíclicas domésticas, que tendem a se beneficiar de custo de capital mais baixo e retomada do consumo.

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, é natural que o mercado realize lucros após um avanço expressivo. “Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro. É comum ver quedas em ativos mesmo sem notícias específicas”, afirma.

Mesmo com o otimismo, analistas alertam para prazos de validade. Diego Barnuevo, analista de mercados da Ebury, ressalta que, se a vitória de Bolsonaro se confirmar no segundo turno, a atenção se voltará para a composição do gabinete e, sobretudo, para as medidas fiscais, até agora pouco detalhadas. Sem definições claras, a frustração dos investidores poderia interromper o rali dos ativos locais.