Ibovespa avança 5% em setembro e 8% no 3º trimestre com fluxo estrangeiro e trade eleitoral

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Touro do mercado observa Ibovespa em forte alta (Foto: Instagram)

O Ibovespa encerrou esta quarta-feira (30/09/2026) em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, fechando setembro com valorização de 5,03% e registrando avanço de 8,32% no terceiro trimestre. No acumulado do ano, o índice soma alta de 15,6%, refletindo o movimento de investidores estrangeiros e a especulação em torno do pleito presidencial.

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O patamar intradiário chegou a 187.834,97 pontos, mas o fechamento acima de 187 mil confirma o tom firme do mercado. O estímulo adicional veio do influxo de recursos externos e do otimismo com a polarização entre os pré-candidatos à Presidência.

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Nos últimos três meses, os investidores estrangeiros alternaram entre aporte e retirada: entraram R$ 4,3 bilhões em julho, saíram R$ 18,1 bilhões em agosto e retornaram R$ 9,6 bilhões até 28 de setembro, segundo dados da B3. Esse fluxo se refletiu nas ações de maior liquidez (blue chips), que, com exceção da Vale, fecharam o mês com ganhos sólidos.

O gatilho para a alta nesta quarta foram dados de inflação nos Estados Unidos, que apontaram desaquecimento de preços e sinalizaram uma possível flexibilização monetária do Federal Reserve. “Os números vieram abaixo das expectativas, gerando alívio e otimismo hoje”, disse João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. Menos pressão por alta de juros no exterior favorece papéis de maior risco, como os brasileiros.

Para Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, o otimismo externo soma-se às perspectivas de alternância de poder no Brasil, levando investidores a se reposicionarem em ativos locais. Ele ressalta que antecipações de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) podem sinalizar política fiscal mais rigorosa que a do governo Lula (PT). “A eleição impactará volatilidade em bolsa, câmbio e juros, mas o principal será a precificação das expectativas para 2027”, afirma Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena.

Analistas alertam, no entanto, que a sustentação do Ibovespa é frágil. O ambiente fiscal ainda é desafiador, com juros domésticos elevados e riscos externos, como o conflito entre EUA e Irã. O petróleo Brent avançou quase 7% em setembro, o que beneficia a Petrobras, mas pressiona a inflação global.

Na avaliação de Marcos Bassani, sócio da AW Capital, a trajetória da Selic e as próximas decisões do Banco Central serão determinantes para a direção do dólar, dos juros e da Bolsa. Do lado externo, “juros americanos, preço do petróleo e geopolítica continuam capazes de influenciar negativamente os ativos brasileiros”, pontua Adam Hetts, head global multi-asset da Janus Henderson.