Homem gasta cerca de R$ 800 mil em cirurgia para ficar 7,6 cm mais alto: “Não me sinto mais inadequado”

Posted by

–

O ultramaratonista Aaron Trinh passou por uma cirurgia de alongamento das pernas, em maio de 2025, nos Estados Unidos, para aumentar a própria altura após enfrentar inseguranças relacionadas à estatura. Com aproximadamente 1,68 metro antes do procedimento, ele ganhou cerca de 7,6 centímetros e passou a medir 1,75 metro. A operação, realizada com apoio financeiro do pai, custou aproximadamente US$ 150 mil.

Em entrevista à revista People, Trinh contou que a diferença de altura em relação às pessoas ao seu redor influenciou sua decisão. O interesse pela cirurgia surgiu depois que ele assistiu a um vídeo sobre o procedimento no TikTok e pesquisou clínicas especializadas na internet. Foi assim que conheceu o Paley Orthopedic & Spine Institute, localizado em West Palm Beach, na Flórida.

A decisão também teve relação com a experiência do pai, que mede aproximadamente 1,57 metro e, segundo o próprio relato, enfrentou situações de discriminação por causa da altura. Ao saber do interesse do filho, ele se ofereceu para pagar integralmente a cirurgia. “Meu pai foi facilmente a primeira e provavelmente a única pessoa a quem eu recorreria para falar sobre a cirurgia, porque sabia que ele seria quem mais se identificaria comigo. Ele foi a única pessoa capaz de me apoiar durante todo esse processo. Ele sofreu discriminação por causa da altura durante toda a vida, começando pela própria família, passando por pessoas que deveriam ser seus amigos e até no ambiente de trabalho”, afirmou Trinh.

O pai, que preferiu não ter a identidade divulgada, contou que a própria estatura afetou sua convivência social. Segundo ele, a insegurança o levou a evitar determinadas interações ao longo da vida. “Por causa da minha altura. Eu simplesmente me sinto mal. Sinto-me humilhado. Você consegue imaginar que, quando fala com as pessoas, precisa olhar para cima? E, quando elas falam com você, precisam olhar para baixo, e você sente que estão falando com você de cima para baixo o tempo todo”, declarou.

++ Cirurgias de catarata registram alta de 74% em quatro anos no Rio Grande do Sul

Trinh relatou que o pai acompanhava seu crescimento desde a infância e procurava maneiras de ajudá-lo a ficar mais alto, incluindo o hábito de oferecer um copo de leite pela manhã. Para o ultramaratonista, receber o apoio financeiro também teve um significado pessoal. “Meu pai ofereceu apoio financeiro integral para a cirurgia. Foi um momento de conexão muito profunda entre pai e filho”, contou. Os dois mantiveram a decisão em segredo da mãe de Trinh até a véspera da operação.

Durante o procedimento, os ossos das pernas são cortados para a colocação de dispositivos metálicos internos. O sistema é acionado por ímãs externos, permitindo um alongamento gradual de aproximadamente um milímetro por dia. O processo pode durar até quatro meses, período em que músculos, nervos e outros tecidos precisam acompanhar o crescimento ósseo. Depois, o paciente ainda passa por uma fase de recuperação e reabilitação para voltar a caminhar.

Apesar do nervosismo antes da cirurgia, Trinh afirmou que a operação foi a parte mais fácil da experiência. O período mais difícil veio durante a recuperação, quando enfrentou dores intensas nos nervos, que em alguns momentos o fizeram gritar. Ainda assim, ele descreveu a situação como suportável.

++ Projeto Bota-Fora fará coleta em três comunidades nesta terça-feira

Cerca de oito meses depois da primeira cirurgia, o ultramaratonista começou a perceber mudanças em atividades cotidianas. Objetos que antes estavam próximos passaram a exigir movimentos diferentes para serem alcançados. “As coisas estavam encolhendo”, recordou. Foi nesse momento que percebeu: “Isso está realmente se tornando realidade.”

Trinh também precisou passar por uma segunda cirurgia para retirar os dispositivos metálicos das pernas. Com a nova altura, afirma que conseguiu deixar de lado a sensação de inadequação que o acompanhava e passou a direcionar sua atenção a outras áreas da vida, como a formatura, a carreira e os relacionamentos sociais. “Agora que minha disforia em relação à altura desapareceu, posso me concentrar mentalmente em muitas outras coisas”, declarou.

Ao avaliar a experiência, o ultramaratonista afirmou estar satisfeito com a decisão, apesar das dores e do longo período de recuperação. “Estou absolutamente muito mais em paz com minha mente e meu corpo, e acho que isso vai durar por muito tempo. Esta cirurgia foi puramente para minha realização pessoal, apenas para que eu pudesse me concentrar mentalmente em outras coisas”, disse.

Para Trinh, o procedimento foi uma necessidade pessoal, e ele rejeita julgamentos sobre a escolha. “Não acho que ninguém tenha o direito de julgar. Não é diferente de querer se esforçar para melhorar a si mesmo, assim como se você quisesse ir à academia”, afirmou.