
Presidente Mahmoud Abbas em discurso oficial (Foto: Instagram)
Hamas, a Jihad Islâmica e um ex-dirigente do Fatah formaram uma aliança inédita para disputar eventuais eleições nacionais na Palestina, em meio à crescente pressão por renovação da liderança e ao descontentamento popular. A união tem como objetivo principal confrontar o domínio do presidente Mahmoud Abbas e responder às divisões internas que afetam Autoridade Palestina.
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Autoridades palestinas relataram à Associated Press que o acordo inclui representantes de Abu Musa, ligado aos Emirados Árabes Unidos, e pode ameaçar o Fatah caso as primeiras eleições legislativas em 20 anos ocorram de fato. Abbas anunciou o pleito para 28 de novembro em Gaza e na Cisjordânia, mas adiou o processo em 2021, quando seu partido mostrava sinais de perda de apoio.
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Mohammed al-Hindi, vice-secretário-geral da Jihad Islâmica, confirmou que a nova frente apoiará “uma lista nacional unificada” composta principalmente por candidatos independentes, em vez dos próprios quadros dos grupos. Segundo ele, o formato visa ampliar o espectro de apoio e superar rivalidades históricas.
No centro da composição está Mohammed Dahlan, antigo chefe de segurança do Fatah, exilado em 2010 após desentendimentos com Abbas e expulso de Gaza pelo Hamas. Hoje conselheiro em Abu Dhabi, Dahlan mantém relações estreitas com autoridades dos Emirados, dos Estados Unidos e de Israel, o que reforça o caráter estratégico da aliança.
A cooperação soa paradoxal: os Emirados Árabes lideraram os Acordos de Abraão em 2020, enquanto Hamas e Jihad Islâmica lutam contra Israel há décadas. Aos 90 anos, Abbas permanece no cargo mesmo após o fim de seu mandato, em 2009. Representantes de Dahlan, como Dimitri Diliani, afirmam que ainda não há um pacto formal, mas confirmam negociações para construir uma lista capaz de mitigar divergências políticas.
Em agosto, o Hamas informou que Dahlan e o líder Khalil al-Hayya se encontraram no Cairo para debater o fim da “monopolização das decisões nacionais” e traçar uma estratégia conjunta. Al-Hindi afirmou que, depois de várias tentativas fracassadas de unidade entre facções, o movimento optou por esse modelo de cooperação sem exigir candidaturas próprias.
O maior entrave histórico é o reconhecimento de Israel pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). O Hamas aceita um Estado palestino em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, mas não reconhece formalmente Israel, enquanto a Jihad adota postura ainda mais rígida. Ambos são considerados grupos terroristas por países ocidentais.
As eleições ocorreriam em um cenário de violência persistente: um cessar-fogo desde outubro de 2025 reduziu os combates intensos em Gaza, mas ataques esporádicos continuam, e Israel mantém parte do controle territorial. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 74 mil palestinos morreram desde o início da guerra, após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns.
O plano americano previa que grupos armados palestinos entregassem suas armas em troca da retirada israelense, mas, segundo al-Hindi, Israel tem bloqueado a implementação, o que adia a segunda fase de negociações sobre armamentos. A Jihad Islâmica, envolvida no ataque de 7 de outubro e detentora de reféns, afirma não ter participado do planejamento prévio, mas rapidamente aderiu ao confronto. Apesar das perdas, justifica o ataque como necessário para manter viva a causa palestina diante da normalização de relações entre Israel e países árabes. Fonte: Associated Press.






