Ex-aluno doa rim para professora após descobrir que ela precisava de transplante

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Um ex-aluno decidiu doar um dos rins à antiga professora depois de descobrir, pelas redes sociais, que ela enfrentava uma doença renal e precisava de um transplante. Ali Dawson, morador de Tooting, em Londres, procurou Sonia após saber que ela estava fazendo diálise. Os dois descobriram que eram compatíveis, e a cirurgia foi realizada em maio de 2017, no hospital Guy’s and St Thomas’, na Inglaterra.

Sonia convivia com a doença renal policística, condição que provoca a formação de cistos nos rins e pode comprometer o funcionamento dos órgãos. Em 2016, seu quadro havia evoluído para insuficiência renal avançada, levando à necessidade de diálise.

Ao descobrir a situação da antiga professora, Ali entrou em contato para saber se ela tinha alguém que pudesse passar pelos exames de compatibilidade. Durante a conversa, Sonia explicou que não havia encontrado uma pessoa disponível para realizar os testes. “Lembro que disse que não tinha ninguém para fazer o teste. E nunca vou me esquecer disso: ele me perguntou qual era o meu tipo sanguíneo. Descobrimos que nós dois tínhamos sangue tipo O. Imediatamente, ele disse: ‘Vou fazer o teste’”, contou Sonia.

Ali realizou os exames e recebeu a confirmação de que poderia ser doador. A cirurgia aconteceu em maio de 2017, quando Sonia recebeu um dos rins do ex-aluno. O transplante foi bem-sucedido, e ela passou a chamar o órgão de “Mini-Ali”.

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Em entrevista ao MyLondon, Ali explicou que guardava boas lembranças da professora e que o carinho recebido durante os anos de escola influenciou sua decisão. “Lembro de Sonia como minha professora, e ela sempre foi muito gentil. Passava muito tempo conosco, e eu sempre me lembrei disso. Havia algo no meu coração que me fez querer fazer isso. Agora eu a vejo como minha irmã”, afirmou.

Após o procedimento, os dois permaneceram internados no mesmo hospital, em alas diferentes. Durante a recuperação, mantiveram contato e chegaram a fazer uma aposta sobre quem receberia alta primeiro.

O transplante também aproximou ainda mais Sonia e Ali. Anos depois da cirurgia, eles continuavam conversando diariamente e passaram a considerar um ao outro parte da família.

A história de Sonia também envolve sua irmã gêmea, que possui a mesma doença renal. Ela chegou a receber um transplante, mas o órgão deixou de funcionar, e precisou retornar à lista de espera. Além de transplantada, Sonia atua como cuidadora da irmã. “Como paciente e cuidadora de alguém com doença renal, é emocionante. Minha irmã recebeu um transplante, mas o rim falhou. Ela teve que voltar para a lista de espera depois de esperar quatro anos por um transplante. Tive muita sorte. Meus rins funcionam, e tenho consciência desse presente da vida que recebi”, relatou.

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Ao falar sobre a relação com Ali, Sonia destacou que o gesto do ex-aluno continuava presente em sua vida. “Eu realmente falo com Ali todos os dias. Ele é meu irmão. Tirando minha irmã gêmea, ele é a segunda pessoa mais importante da minha vida. Saber que ele fez isso por mim, e sabendo o que minha irmã está passando, sou verdadeiramente abençoada por tê-lo”, declarou.

A experiência levou os dois a defenderem a conscientização sobre a doação de órgãos. Sonia também passou a incentivar conversas entre familiares sobre a possibilidade de doar órgãos após a morte.

O hospital Guy’s and St Thomas’ lançou ainda o podcast Kidney Kinship, dedicado a compartilhar experiências de doadores, receptores, profissionais de saúde e líderes religiosos, com o objetivo de ampliar o acesso a informações sobre transplantes.