
Estátua de 11 metros da ‘Mãe Rainha das Trevas’ em terreno público no Ceará (Foto: Instagram)
Uma estátua de 11 metros dedicada à ‘Mãe Rainha das Trevas’ provocou forte polêmica e fraturou opiniões no Ceará. A idealização, assinada por uma sacerdotisa do culto satanista, levou a questionamentos sobre a licença legal da obra, embora a responsável assegure que ela tem o mesmo respaldo jurídico que monumentos católicos clássicos no estado, como os de Padre Cícero e São Francisco. A instalação reacendeu o debate sobre o princípio da laicidade, a convivência pacífica e a liberdade religiosa assegurada pela Constituição.
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Erguida recentemente em terreno público do interior cearense, a peça tornou-se alvo de intensos comentários nas redes sociais e fomentou discussões a nível nacional. Enquanto opositores destacam o impacto simbólico e a ofensa aos valores cristãos preponderantes na região, simpatizantes defendem que a Constituição Federal garante isonomia entre crenças. A promotora do monumento argumenta que não há hierarquia entre manifestações religiosas no espaço público, desde que atendam às exigências municipais, estaduais e federais.
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Em conversa com o portal Bacci Notícias, a sacerdotisa explicou que o processo para erguer a escultura observou todos os trâmites legais do município, incluindo aprovação em conselho de patrimônio e licenciamento ambiental. Ela equiparou sua obra a grandes referências católicas locais: “Da mesma forma que minha estrutura está regularizada, estão também a estátua de São Francisco e o monumento de mais de 20 metros dedicado a Padre Cícero no Canindé”, afirmou.
Diante das críticas após a divulgação de fotos da estátua, a líder do movimento satanista ressaltou que sua doutrina prega o respeito e a harmonia entre diferentes correntes de fé. “Nossa religião ensina a respeitar tudo aquilo que difere de nossas crenças”, disse ela, enfatizando a importância de um diálogo inter-religioso livre de preconceitos. Segundo a sacerdotisa, os ataques refletem intolerância e desconhecimento sobre o trabalho espiritual desenvolvido por seu grupo.
O episódio alimentou um acalorado debate público sobre o uso de espaços urbanos para manifestações religiosas. Críticos afirmam que a presença de uma figura associada ao satanismo pode ferir a sensibilidade dos moradores e desrespeitar a tradição católica predominante no estado. Por outro lado, juristas e ativistas de direitos civis defendem que o poder público deve manter postura laica e garantir que todas as crenças cumpram somente as exigências administrativas sem sofrer discriminação.
A controvérsia no Ceará ilustra o desafio de conciliar a diversidade religiosa com a neutralidade do Estado. Embora o impacto visual e simbólico da estátua da ‘Mãe Rainha das Trevas’ tenha polarizado opiniões, a questão central permanece a aplicação uniforme da legislação que rege o direito de culto e de expressão. O debate promete se estender nos tribunais e no Congresso, à medida que grupos religiosos buscam definir limites para instalações com conotação espiritual em áreas públicas.






