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quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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    Recordes de Shakira e Miley Cyrus mostram que traição masculina já não é naturalizada

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    A parceria da popstar colombiana Shakira com o DJ argentino Bizarrap, a faixa “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53”, já bateu 200 milhões de visualizações no YouTube desde sua estreia, no último dia 11, tornando-se a canção latina que mais rapidamente atingiu esta marca. A canção também é a mais tocada do aplicativo Lark Player no México e em outros países da América Latina.

    Shakira criou a “diss track” da década –o termo vem do Rap americano e significa uma faixa feita para atacar outro músico. A colombiana, no entanto, preferiu mirar no ex-companheiro, o ex-futebolista Gerard Piqué, e sua nova namorada, a estudante espanhola Clara Chía, com quem ele teria se envolvido quando ainda estava casado com a popstar. Segundo a mídia da Espanha, a cantora descobriu a traição por causa de um detalhe na geladeira de casa: um pote de sua geleia favorita, da qual nem Piqué nem os filhos do casal eram fãs, estava com menos conteúdo do que deveria.

    A letra bastante direta, mencionando até os problemas da cantora com o Fisco na Espanha e dando um jeito de citar os nomes de Clara e Piqué, gerou uma polêmica que ajudou a bombar a música ainda mais: Shakira deveria ter se calado para poupar os filhos? Se expôs demais? Tem razão e dá voz a outras mulheres que passaram por situações parecidas e tiveram que se calar em nome da boa convivência e dos filhos? As redes sociais explodiram em comentários, num frenesi. Enquanto o povo opina, faz memes e dá play na canção, Shakira fatura alto.

    A americana Miley Cyrus lançou “Flowers” no dia 12 de janeiro, um dia após a bomba lançada por Shakira. Tanto a letra como o clipe de “Flowers” têm várias referências às supostas 14 traições que Miley sofreu do ex-marido, o ator australiano Liam Hemsworth. O trabalho foi gravado na mansão onde as infidelidades teriam ocorrido, e a letra é uma resposta à música “When I Was Your Man”, de Bruno Mars, sobre os arrependimentos de um homem que não soube valorizar a ex: ele lamenta não ter comprado flores para ela, não ter levado a amada para dançar nem segurado sua mão. Segundo fãs, Liam Hemsworth teria dedicado a canção à Miley em algumas ocasiões. A resposta da cantora é empoderada: ela compra flores para si mesma, segura sua própria mão, dança sozinha e ama a si mesma.

    Atualmente número 1 na Billboard Hot 100, “Flowers” já quebrou duas vezes o recorde de canção mais ouvida no Spotify em uma semana: primeiro, com 96 milhões de streams entre 16 e 19 de janeiro, superando o recorde de Adele com “Easy On Me”, e novamente, com 115 milhões de streams entre 20 e 26 de janeiro, rompendo agora seu próprio recorde.

    Se antigamente a traição masculina era naturalizada devido ao machismo, as canções de Miley e de Shakira mostram duas mulheres que não aceitam essa naturalização. No caso de Shakira, que tem 45 anos, a questão também passa por não aceitar o etarismo e a naturalização de que a certa altura o homem troque sua companheira por outra com metade da idade da anterior

    Nas redes, pipocam relatos de mulheres que se sentem representadas pelas canções, e tanto a atitude de reprovação de boa parte do público com relação a Gerard Piqué e Liam Hemsworth, como os próprios recordes de reproduções das duas faixas nas plataformas de música, de fato mostram que os tempos estão mudando.

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