Dólar cai a R$ 5,10 com apetite ao risco externo e eleição no radar

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Dólar recua e testa piso de R$ 5,10 diante do real (Foto: Instagram)

O dólar iniciou a semana em queda consistente frente ao real, chegando a testar o piso de R$ 5,10. O movimento refletiu maior apetite ao risco no exterior, com o petróleo acumulando a quarta queda consecutiva, mantendo-se próximo a US$ 100 o barril do Brent, e pela perspectiva de melhora nas relações entre Estados Unidos e China. Nesta semana, Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em solo americano para debater tarifas e inteligência artificial.

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O real destacou-se entre as três divisas mais líquidas com melhor desempenho, apoiado pelas apostas em uma vitória da oposição na corrida presidencial de 2026 e pela expectativa de ajuste nas contas públicas. Pesquisas recentes confirmam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para um eventual segundo turno, e o mercado aguarda o novo levantamento da Quaest, previsto para ser divulgado à noite.

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Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, observa que plataformas de previsão como o Polymarket indicam probabilidade recorde de mudança de governo, o que pode sinalizar otimismo excessivo dos investidores. “Talvez o mercado esteja algo exageradamente confiante nesse resultado”, afirma Sobral.

Após atingir mínima de R$ 5,1030 no início da tarde, o dólar à vista fechou em R$ 5,1084, queda de 0,70%. No acumulado de setembro, a moeda norte-americana apresenta perda de 1,38% perante o real, e recua 6,93% desde o início do ano. Em 2026, o real figura entre as cinco divisas emergentes com maior valorização frente ao dólar.

Para Mark McCormick, estrategista-chefe de câmbio do BMO Capital Markets, o foco deve ser se a próxima administração enfrentará o desequilíbrio fiscal voluntariamente ou será pressionada pelos mercados. “Ambos os candidatos herdam um desafio de trajetória de dívida”, alerta, ponderando cautela sobre considerar qualquer desfecho eleitoral como duradouro favorável ao real.

Bruno Perottoni, diretor de tesouraria do Braza Bank, destaca que, apesar da apreciação do real, a demanda por dólares no mercado à vista permanece elevada, com queda do “casado” e elevação do cupom cambial. “Não há escassez de moeda, mas a procura está acima do normal para esta época do ano”, comenta.

O Banco Central interveio três vezes neste mês, ofertando US$ 3 bilhões no mercado spot – US$ 2 bilhões em swaps cambiais reversos e US$ 1 bilhão em linha com cláusula de recompra. Operadores não descartam novas atuações se a dinâmica de fluxo não mudar.

Com desempenho inferior ao de outras divisas emergentes, o dólar ganhou força ante o euro, o iene e a libra. O índice DXY subiu 0,21%, aos 100,428 pontos, e as taxas dos Treasuries de dois anos avançaram, refletindo a perspectiva de mais aperto monetário nos EUA. Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, ressalta que a alta dos rendimentos de títulos de curto prazo indica revisão para cima das projeções de juros em economias desenvolvidas.