Diagnosticada com câncer, mulher se recusa a interromper gravidez e passa por quimioterapia

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A contadora Gabrielle Brandão, de 26 anos, enfrentou um tratamento contra o câncer de mama enquanto estava grávida da primeira filha, Aurora. Diagnosticada com a doença aos 23 anos, em 2023, em Feira de Santana, na Bahia, ela descobriu a gestação durante os exames que antecediam a quimioterapia e decidiu seguir com a gravidez. A filha nasceu com 35 semanas, após a mãe passar por sessões de quimioterapia durante o segundo e o terceiro trimestres.

A descoberta da gravidez aconteceu pouco depois da confirmação do câncer, identificado após Gabrielle perceber uma alteração na mama e procurar atendimento médico. Segundo ela, a notícia foi inesperada, já que tinha um histórico de atrasos menstruais e não utilizava anticoncepcional por sentir efeitos adversos. “Minha menstruação estava sempre atrasada e eu não tomava anticoncepcional, pois passava mal. Foi uma surpresa, mas tive a certeza de que essa criança seria o motivo da minha cura”, relembra à Crescer.

No mesmo dia em que soube que estava grávida, Gabrielle procurou o mastologista responsável pelo acompanhamento. De acordo com seu relato, o profissional recomendou a interrupção da gestação diante da necessidade de tratar a doença. “Para a minha surpresa, ele solicitou o aborto e disse que deveria priorizar a minha vida. Também falou que, até as 12 semanas, eu tinha direito legal de interromper a gestação e que tratar um câncer com uma criança tornaria tudo mais difícil”, destaca.

Gabrielle optou por continuar a gravidez e iniciou a quimioterapia a partir do segundo trimestre, com acompanhamento médico tanto para o tratamento oncológico quanto para o desenvolvimento do bebê. Ela também realizava exames semanais e precisou colocar um clipe na mama para identificar a localização do tumor.

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Embora recebesse informações sobre o desenvolvimento da filha, a contadora conta que conviveu com o receio de complicações durante a gestação: “Eu sabia que estava tudo bem, que ela era perfeita, mas, ao mesmo tempo, morria de medo de acontecer um aborto espontâneo ou de eu não conseguir seguir a gestação até o tempo indicado. Era desesperador”.

A última sessão de quimioterapia ocorreu quando Gabrielle estava com 34 semanas de gravidez. Uma semana depois, Aurora nasceu, marcando o fim de uma etapa que a mãe havia estabelecido como objetivo durante o tratamento. “Foi um parto lindo. Eu só queria que ela viesse ao mundo. Meu sino da vitória era que a Aurora viesse bem”.

O tratamento contra o câncer continuou após o parto. Duas semanas depois do nascimento, Gabrielle passou por uma cirurgia para retirar parte da mama e realizar o esvaziamento da axila. Posteriormente, fez 16 sessões de radioterapia e iniciou a terapia hormonal, que segue até hoje.

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Ao recordar o período, ela reconhece que o tratamento interferiu na maneira como viveu a gravidez. “Não é fácil. Tive e tenho muito medo. Não consegui aproveitar apenas a gestação. Mas sigo com vontade de viver e curtindo cada fase da maternidade”.

Atualmente, Gabrielle está com 26 anos, e Aurora tem 2 anos e 3 meses. Segundo o relato, mãe e filha estão bem, enquanto a contadora segue em tratamento hormonal. “A Aurora traz felicidade para a minha vida e me torna mais forte. Ela é o meu recomeço, o raio de sol dos meus dias, como já diz o próprio nome dela”, finaliza.