
Investigadores percorrem área de desabamento em mina de platina clandestina perto de Rustenburg, na África do Sul (Foto: Instagram)
Segundo a polícia sul-africana, pelo menos 14 mineradores artesanais perderam a vida e outros oito ficaram feridos após o desabamento das paredes de uma mina de platina na segunda-feira (10). O incidente ocorreu enquanto os trabalhadores extraíam o mineral de forma ilegal, sem autorização. As equipes de resgate levaram horas para chegar ao local, enfrentando túneis instáveis. A ocorrência foi confirmada pelo porta-voz da corporação, que classificou a ação como mais uma tragédia envolvendo mineração informal.
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A corporação local detalhou que o desmoronamento ocorreu à noite, nas imediações de Rustenburg, um polo de platina situado a cerca de 130 quilômetros a noroeste de Joanesburgo. A área é conhecida pelos corredores subterrâneos complexos e pelas galerias abandonadas, remanescentes de antigas operações comerciais. Os policiais acrescentaram que as condições do solo e a falta de sustentação apropriada agravaram o colapso. Investigações preliminares buscam identificar responsáveis e possíveis falhas de segurança.
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Dezenas de milhares de garimpeiros atuam de forma clandestina em minas de ouro e platina desativadas no país, seja explorando galerias antigas ou abrindo poços improvisados em busca de veios ricos em minério. Esses trabalhadores, motivados pelos altos preços da platina, normalmente não dispõem de equipamentos de proteção individual, nem contam com sistemas de ventilação ou suporte mecânico. Frequentemente, permanecem dias ou semanas no subsolo, expostos a riscos de desabamento e intoxicação por gases tóxicos.
A África do Sul detém as maiores reservas de platina do mundo, o que torna regiões como Rustenburg alvos constantes de mineração informal. A abundância do metal, amplamente utilizado em catalisadores automotivos e em diversas indústrias, estimula a ação de grupos – e de indivíduos independentes – que buscam lucro rápido. Porém, a extração sem fiscalização eleva consideravelmente o índice de acidentes e mortes.
Dos oito feridos no desabamento, três foram liberados do hospital e, em seguida, detidos sob suspeita de mineração ilegal. Os outros cinco permanecem internados sob custódia policial, informou o porta-voz Adams. Em comunicado à imprensa, as autoridades afirmaram que a maioria dos mortos aparentava ser natural do Lesoto, país vizinho. O episódio evidencia a profunda mobilidade de trabalhadores que cruzam fronteiras em busca de oportunidades subterrâneas.
O episódio reforça uma sequência de desastres ligados à mineração informal no país. No final de 2024, centenas de garimpeiros ficaram presos por meses no subsolo de uma mina de ouro cercada pela polícia, resultando na morte de mais de 80 pessoas. Para enfrentar a escalada de crimes relacionados a essas atividades, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa mobilizou tropas nas ruas em uma operação de um ano, cujo foco inclui o combate à mineração ilegal e ao crime organizado.






