Depressão masculina: por que tantos homens sofrem em silêncio? Psicólogo revela o peso da masculinidade

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Por trás da imagem de força e autossuficiência que muitos homens tentam manter, pode existir um sofrimento emocional que passa despercebido até pelas pessoas mais próximas. A depressão atinge, em média, 12% da população masculina brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde citados pela revista GQ Brasil. Um dos principais desafios é o subdiagnóstico: muitos homens demoram a procurar ajuda profissional ou têm dificuldade para conversar com familiares e amigos sobre o que estão sentindo.

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Para o psicólogo Guilherme dos Anjos Lemos, as expectativas tradicionais de masculinidade ajudam a explicar esse comportamento. Desde a infância, muitos meninos aprendem que precisam resolver os próprios problemas, controlar as emoções e evitar demonstrar vulnerabilidade. Essa cobrança pode dificultar tanto a procura por tratamento quanto a continuidade do acompanhamento psicológico. A ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza acaba transformando o silêncio em uma barreira para o cuidado com a saúde mental.

Os números também chamam atenção: segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a proporção de homens que relataram diagnóstico de depressão passou de 7,6% em 2013 para 10,2% em 2019. O psicólogo também destaca que o sofrimento masculino nem sempre aparece como tristeza evidente. Em alguns casos, pode se manifestar por irritabilidade, agressividade, isolamento e comportamentos de risco, como o consumo excessivo de álcool. Sem familiaridade para reconhecer e expressar as próprias emoções, alguns homens acabam se afastando justamente das pessoas que poderiam oferecer apoio.

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Outro problema é a concentração da responsabilidade emocional nas companheiras ou nas mães, que muitas vezes são as primeiras a incentivar a busca por atendimento. Segundo Lemos, a falta de uma rede de apoio entre amigos e familiares pode sobrecarregar essas relações e aprofundar o isolamento. Para o especialista, aprender a identificar sentimentos, conversar sem transformar toda dificuldade em um problema a ser imediatamente resolvido e saber escutar são passos importantes. Reconhecer o sofrimento e procurar ajuda profissional não diminui ninguém: são atitudes fundamentais para cuidar da saúde mental.