Christa Pike, que sobreviveu a duas doses letais, teve câncer raro citado antes da execução

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Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee. (Foto: Instagram)

Christa Pike, de 50 anos, pode ter sobrevivido à execução por injeção letal por causa de uma condição rara no sangue. Documentos judiciais divulgados pela revista People mostram que seus advogados alertaram autoridades do Tennessee sobre os riscos do procedimento, devido à elevada contagem de plaquetas da detenta.

Registros de janeiro indicam que a defesa relacionou a alteração sanguínea a uma possível doença mieloproliferativa, um tipo raro de câncer no sangue. Os advogados afirmaram que a substância usada na execução provavelmente provocaria dor e sofrimento desnecessários e agravados, além de terror e humilhação.

A neoplasia mieloproliferativa (NMP) é um distúrbio em que a medula óssea produz células sanguíneas em excesso, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas. No caso de Pike, o diagnóstico foi de trombocitose relacionada à NMP, caracterizada pelo aumento de plaquetas. Segundo seus advogados, a condição também eleva o risco de edema pulmonar, causado pelo acúmulo de líquido nos pulmões.

Por causa da possibilidade de complicações, Pike já havia solicitado que sua execução fosse realizada por um pelotão de fuzilamento composto somente por mulheres, em vez de uma injeção letal. O governo do Tennessee negou o pedido, alegando que esse método não é autorizado por lei no estado.

Depois de passar décadas no corredor da morte, Pike recebeu doses letais de pentobarbital, mas sobreviveu. O caso levou o governador Bill Lee a suspender todas as execuções previstas. Ela foi levada às pressas para um hospital e chegou a ser considerada com morte cerebral. Mais tarde, voltou a falar, apresentou sinais de recuperação e recebeu alta. Em 9 de outubro, retornou à prisão.

Os representantes legais também destacaram o histórico de complicações de Pike em procedimentos com coleta de sangue e inserção de agulhas. Após a tentativa malsucedida de execução, ela ficou dez dias internada e teve inchaço, queimaduras e bolhas nos dois braços.

Na avaliação dos advogados, as lesões decorreram de falhas nos acessos intravenosos usados durante o procedimento. Por isso, afirmaram, o pentobarbital teria sido direcionado aos tecidos dos braços, em vez de chegar diretamente à corrente sanguínea.